Donald Trump classificou como hediondo o “ataque com gás venenoso” ocorrido, no sábado, em Douma, na Síria, que fez várias dezenas de mortos. O presidente norte-americano, que falava numa reunião do seu gabinete, disse que ia tomar uma decisão sobre a resposta a dar ao regime sírio nas próximas 48 horas, corringindo depois para o “final do dia”

Trump especificou que estava a falar com líderes militares para apurar se os responsáveis pelo ataque eram os russos, ou Assad, ou o Irão, ou "todos eles juntos". Questionado sobre uma eventual ação militar, o presidente dos EUA admitou que todos dos cenários estão em cima da mesa.

Os EUA adiantam ainda que as forças do governo estão a negar o acesso de monitores internacionais a Douma e pedem à Síria e à Rússia  a abrir o local à assistência médica internacional e à monitorização internacional, lembrando que está em contacto com os aliados sobre a resposta.

Haverá consequências para esta atrocidade inaceitável". 

O Departamento de Estado explica ainda qe os sintomas das vítimas são compatíveis com um agente de asfixia e um agente nervos de algum tipo.

Não há ainda certezas sobre que gás nervoso foi usado para atacar os civis, nem provas de que foi o governo sírio que fez o ataque, no entanto, o Departamento de Estado dos Estados Unidos diz que o ataque ocorreu em aéreas onde as forças do governo sírio estão operacionais.

Apesar de Donald Trump já ter condenado fortemente o ataque na Síria e ter assumido que se tratava de um ataque químico, fontes do governo norte-americano disseram esta segunda-feira à Reuters, que as primeiras avaliações sugerem que um “agente nervoso” foi usado no ataque na Síria, mas adiantam que são precisas mais provas para determinar que agente foi usado.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas já anunciou a abertura de uma investigação ao ataque. Parte do trabalho desta organização será esclarecer se as vítimas foram mortas por um cocktail de toxinas bombardeado de aviões.

Em Douma, algumas testemunhas indicaram que cheirava a cloro, mas os médicos disseram que os sintomas se assemelhavam ao uso de um agente nervoso. O professor Raphael Pitti, médico que assistiu a vídeos feitos no local, disse, citado pela Reuters, que os pacientes pareciam ter convulsões mais típicas de intoxicação por sarin.

Tudo indica que durante o segundo ataque, foi usado cloro para esconder o uso de sarin ao mesmo tempo", disse Pitti.

Uma investigação conjunta das Nações Unidas e da OPCW determinou em 2016 e 2017 que as forças do governo sírio usaram cloro e sarin repetidamente durante a guerra civil.

Apesar das provas no passado, não há ainda certezas sobre o ataque deste fim de semana. A mesma fonte do governo norte-americano disse também à agência Reuters que os primeiros indícios analisados não permitem determinar “conclusivamente” se o alegado ataque químico foi levado a cabo pelo governo Sírio. Dúvidas que, no entanto, não demoveram o presidente norte-americano de, na primeira reação ao ataque, chamar Assad de “animal”.

As provas de que se tratou ou não de um ataque químico estão neste momento no centro do debate da comunidade internacional. Para esta segunda-feira esta marcada uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Reino Unido já avisou a Rússía, que apoia o regime sírio, que não pode obstruir a investigação já em curso e que está a aguardar pelas conclusões. 

Já o presidente francês, Emmanuel Macron, condenou veemente os “ataques químicos”. Numa conversa ao telefone com Trump, ambos acordaram coordenar eventuais ações e a “troca de informações” e as suas análises “confirmam a utilização de armas químicas”.O governo sírio e os seus apoiantes, nomeadamente a Rússia e o Irão, desmentiram a responsabilidade das forças governamentais neste suposto ataque químico, alegando que o ataque é uma provocação e pretende justificar novos ataques na região.

O ataque de sábado fez um número ainda não claro de mortes, sendo que o Observatório Sírio de Direitos Humanos assegurou que morreram 80 civis, metade dos quais devido a asfixia resultante do colapso das infraestruturas. Segundo relatos, a população estava escondida em abrigos quando foram lançados os alegados ataques químicos que conseguem chegar onde não chegam as bombas.

Cláudia Lima da Costa