O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu esta sexta-feira no Twitter ao ataque aéreo que matou Qassem Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds.

O Irão nunca venceu uma guerra, mas nunca perdeu uma negociação”, afirmou Trump, sublinhando que o general abatido fora responsável pela morte de milhares de norte-americanos durante um longo período de tempo.

Donald Trump reiterou que Soleimani planeava matar “muitos mais norte-americanos, mas foi apanhado”.

Foi direta e indiretamente responsável pela morte de milhões de pessoas, incluindo o recente grande número de manifestantes mortos no Irão. Soleimani era temido e odiado dentro do país”, escreveu o presidente dos Estados Unidos, expressando que o general devia ter sido morto muitos anos antes.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo também reagiu ao ataque esta sexta-feira, avançando que a operação foi determinante para impedir um “ataque iminente” que iria provocar a morte de muitos norte-americanos na região do Médio Oriente.

Não posso avançar muito sobre a natureza das ameaças, mas o povo americano deve saber que a decisão do presidente de remover Soleimani do campo de batalha salvou muitas vidas”, disse Pompeo em entrevista ao canal da CNN.

 O general Qassem Soleimani desempenhou um papel chave nas negociações políticas sobre a formação de um Governo no Iraque, onde o Teerão pretende manter a sua influência/ AP

Pompeo disse que o general iraniano estava “ativamente a planear tomar uma decisão grande que iria colocar muitas vidas em risco”.

O risco de não tomar nenhuma ação era enorme. Os serviços secretos calcuraram esse risco e o presidente Trump foi decisivo na noite passada”, disse Mike Pompeo.

Guterres diz que "o mundo não pode permitir outra guerra no Golfo" 

 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, avisou esta sexta-feira que “o mundo não pode permitir outra guerra no Golfo", numa referência ao ataque aéreo realizado pelos Estados Unidos em Bagdad, que matou o general iraniano Qassem Soleimani.

Num curto comunicado esta sexta-feira divulgado, António Guterres apela “aos líderes para mostrarem o máximo de contenção” neste momento de tensão, sobretudo numa altura em que o Irão pede vingança pelo ataque.

"Pode haver assassínios de americanos, raptos, tentativas pelo menos”

O coronel Nuno Lemos Pires disse esta sexta-feira que mais ataques no Médio Oriente e tentativas de raptos de norte-americanos são consequências prováveis da morte do general iraniano Qassem Soleimani de madrugada em Bagdad num ataque norte-americano.

O sub-diretor-geral de Política de Defesa Nacional considerou em declarações à agência Lusa que “uma guerra aberta entre o Irão e os Estados Unidos não é provável”, mas apontou como um dos “efeitos diretos” a “desestabilização no local”.

As consequências podem ser várias: obviamente vamos assistir a um maior número de ataques na região, mais indiretos mais diretos; pode haver assassínios de americanos, raptos, tentativas pelo menos”, indicou.

O especialista em assuntos de segurança e defesa adiantou que outras das consequências podem ser o “aproveitamento do [grupo ‘jihadista] Estado Islâmico para poder ganhar alguma base de apoio (…) o aumento do preço do petróleo (…) e o extravasar da situação” para países como a Síria e o Iémen.

Governo português acompanha com preocupação situação no Iraque e pede “máxima contenção”

O Governo português está a acompanhar “com grande preocupação” os recentes desenvolvimentos no Iraque, após a morte de um alto comandante iraniano num ataque norte-americano em Bagdad, e apelou hoje à “máxima contenção” para evitar um agravamento da situação.

/ HCL