A Conferência Episcopal da Venezuela (CEV) condenou, esta sexta-feira, vários ataques ocorridos nos últimos dias a igrejas venezuelanas, agressões contra jornalistas e violência contra pessoas que participaram em manifestações convocadas pela oposição.

A Comissão de Justiça e Paz da CEV manifesta preocupação pelos factos acontecidos durante as manifestações realizadas no país entre 30 de abril e 2 de maio de 2019, que deixaram um ‘saldo' (resultado) lamentável de 4 pessoas assassinadas, 240 detidos e mais de 300 feridos", lê-se num comunicado divulgado em Caracas.

O documento refere que trabalhadores da imprensa foram vítima de vários tipos de violência, cinco jornalistas foram feridos com tiros de borracha, uma estação de rádio foi assaltada e outras três estações viram as suas emissões suspensas.

Sem dar mais pormenores a CEV condena ainda "o ataque violento" contra a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no bairro Sucre de San Cristóbal, Estado de Táchira onde, segundo a imprensa venezuelana, militares afetos ao regime do Presidente Nicolas Maduro atacaram um grupo de católicos e o padre e lançaram bombas de gás lacrimogéneo.

A imprensa venezuelana dá conta ainda de que, na quarta-feira, alegados militares atacaram com gás lacrimogéneo centenas de católicos que se concentraram junto da Igreja La Chinquinquirá, em Caracas, em apoio ao autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

Estes católicos foram ainda atacados por coletivos (grupos de motociclistas armados afetos ao regime) que chegaram ao local disparando tiros para o ar.

Segundo a CEV "as ações de criminalização, violência e repressão acontecidas nas manifestações são contrárias às obrigações de respeito e garantia dos Direitos Humanos, contemplados na Constituição venezuelana e são violadoras dos tratados internacionais assinados pela República".

A Comissão de Justiça e Paz (da CEV) exige uma vez mais aos superiores da Guarda Nacional, do Serviço Bolivariano de Inteligência (serviços secretos), da Polícia Nacional Bolivariana, e ainda aos oficiais destes organismos de segurança e aos chamados coletivos, o devido respeito e garantia dos Direitos Humanos, o fim inadiável do uso criminoso da força letal no controlo das manifestações e a imediata libertação dos detidos arbitrariamente", explica.

Por outro lado, a CEV solicita à Assembleia Nacional (parlamento, onde a oposição detém a maioria) que "determine as responsabilidades por estes factos a fim de que sejam tramitadas perante as instâncias correspondentes".

O documento reitera "que as obrigações quanto ao respeito pelos direitos civis e políticos, como o direito à vida e à integridade pessoal, o direito a manifestar, ao devido processo e à livre expressão do pensamento, são invioláveis e que qualquer violação pode derivar em delitos que não prescrevem e não podem ser justificados pela obediência".

A CEV "apela ao povo fiel e aos homens e mulheres de boa vontade a elevar orações pelo restabelecimento da concórdia e a fraternidade, pelo descanso eterno dos falecidos e pelo consolo dos familiares e das vítimas".