As autoridades britânicas decidiram deixar de partilhar informações sobre o atentado que abalou a cidade de Manchester na segunda-feira. Os oficiais do Reino Unido estão furiosos com a divulgação de informações confidenciais na imprensa norte-americana e Theresa May já fez saber que vai questionar Donald Trump sobre esta matéria, na cimeira da NATO.

Na quarta-feira, elementos cruciais relacionados com a investigação, como a identidade do alegado bombista, foram divulgados pela imprensa dos Estados Unidos. Uma situação que incomodou o governo britânico.

A secretária de Estado Amber Rudd não escondeu que estava “irritada” com estas fugas de informações, mas frisou, aos jornalistas, que tal “não deveria voltar a acontecer”.

Só que, no mesmo dia, e depois destas declarações, o jornal norte-americano New York Times publicou imagens que mostram estilhaços dos explosivos utilizados no ataque. Foi a gota de água para as autoridades britânicas, que estão “furiosas” com a situação.

De resto, a primeira-ministra, Theresa May, vai mesmo questionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre estas fugas de informações. May e Trump participam esta quinta-feira na cimeira da Aliança Atlântica, em Bruxelas.

A líder britânica afirmou, esta quinta-feira, que "vai deixar claro ao presidente Trump que as informações que são partilhadas entre as agências têm de permanecer seguras". May adiantou ainda que vai aproveitar esta cimeira da NATO para trabalhar com outros líderes internacionais "no combate ao terrorismo".

Neste nova declaração ao país, a governante frisou que o nível de ameaça terrorista vai permanecer "crítico" e apelou ao povo britânico para se manter "vigilante".

A polícia de Manchester, que lidera a investigação sobre o atentado, partilha as informações sobre o aatque com a unidade de combate ao terrorismo nacional, que, por sua vez, partilha as informações com o governo. Ora, por força dos acordos internacionais, o governo britânico transmite estes dados aos Estados Unidos, à Austrália, ao Canadá e à Nova Zelândia.

A decisão do Reino Unido em deixar de partilhar informações com os Estados Unidos mostra, segundo os analistas, o quanto os britânicos estão furiosos com a situação.

Salman Abedi é o nome do autor do ataque que provocou a morte a 22 pessoas e deixou feridas mais de 50 durante um concerto da cantora norte-americana Ariana Grande, na segunda-feira.

A polícia de Manchester confirmou, esta quarta-feira, que as autoridades estão a investigar uma “rede" terrorista.

As autoridades têm oito pessoas sob custódia polical, no âmbito da investigação. Uma mulher que também tinha sido detida acabou por ser libertada. A polícia indicou que as detenções realizadas são "relevantes" uma vez que ajudaram a descobrir elementos "muito importantes para a investigação".