O presidente senegalês ordenou o envio de tropas para a fronteira a sul com a Guiné-Bissau e disponibilizou um avião para retirar o seu homólogo guineense e respectiva família do país, oferta que «Nino» Vieira recusou.

Segundo o porta-voz da Presidência senegalesa, citado pela agência AP, a proposta de Abdulaye Wade foi apresentada numa conversa telefónica que manteve esta madrugada com «Nino» Vieira, na sequência do ataque à residência particular do chefe de Estado guineense, em Bissau.

El Hadj Amadou Sall, que não referiu quantos soldados foram deslocados para a fronteira nem adiantou se ela foi encerrada, referiu também que «Nino» Vieira declinou a oferta, alegando que a situação estava sob controlo.

Acto isolado

O ministro da Defesa da Guiné-Bissau, Marciano Barbeiro, disse à agência Lusa esperar que o ataque seja um «acto isolado» de soldados e não de unidades militares. «Esperemos que seja um acto isolado, porque não houve movimentações de unidades militares, mas estamos a investigar», defendeu Marciano Barbeiro à saída da residência de «Nino» Vieira, atacada esta madrugada por soldados.

Segundo o ministro da Defesa, as informações disponíveis indicam que nenhuma unidade militar aderiu ao ataque, que terá sido liderado pelo sargento Ntchami Ialá, um elemento do corpo dos fuzileiros da Marinha de Guerra, recentemente transferido para o batalhão de Canchungo, no norte do país.

«Todas as unidades militares estão intactas. Não houve nenhuma movimentação de nenhuma unidade milita»¿, afirmou Marciano Barbeiro, remetendo para mais tarde uma posição do governo, que se reúne ainda hoje em conselho de ministros extraordinário.

Questionado sobre o que se passou de concreto, o ministro da Defesa guineense afirmou que as autoridades do país ainda estão a perceber o que aconteceu. Explicou ainda que o governo «tem o controlo das Forças Armadas» através das informações que vai recolhendo do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

PAIGC lamenta

O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Carlos Gomes Júnior, e vencedor das legislativas de domingo na Guiné-Bissau, qualificou como um «acontecimento infeliz» o ataque contra o Presidente guineense.

«Viemos em nome do PAIGC apresentar a nossa solidariedade ao Presidente, porque o que aconteceu hoje é um acontecimento infeliz», afirmou aos jornalistas após ter saído da residência de «Nino» Vieira.

«Pensamos que em pleno século XXI os problemas da Guiné-Bissau não podem continuar a ser resolvidos com violência», acrescentou o futuro primeiro-ministro Guiné-Bissau.
Redação / FC