A polícia de Manchester confirmou esta quarta-feira que as autoridades estão a investigar uma “rede” de terrorismo, após o atentado que ocorreu durante um concerto da cantora Ariana Grande e que provocou 22 mortos e mais de 50 feridos. A informação foi confirmada pelo chefe da polícia, Ian Hopkins, em conferência de imprensa. 

“É muito claro que se trata de uma rede o que estamos a investigar”, afirmou.

Esta manhã, a ministra britânica da Administração Interna, Amber Rudd, já tinha adiantado que era "provável" que o bombista suicida, Salman Abedi, tenha atuado com a ajuda de outros indivíduos.

O responsável da polícia destacou que a investigação está a decorrer a um ritmo rápido e que as autoridades estão a realizar buscas em várias zonas da cidade de Manchester.

Hopkins confirmou que há quatro pessoas sob custódia policial por suspeitas de ligação ao atentado. Recorde-se que um indivíduo de 23 anos foi detido na terça-feira e, durante esta madrugada, foram feitas mais três detenções.

O responsável informou ainda que já todas as vítimas mortais foram identificadas e as respetivas famílias contactadas. Uma das vítimas era uma agente da polícia.

"Quero confirmar que estamos confiantes de que já contactamos os familiares mais próximos das pessoas que morreram no ataque de segunda-feira e que estão a ser acompanhadas pelos nossos agentes."

 

 

Bombista terá sido "mula"

A confirmação de que o atentado na arena de Manchester é obra de uma "rede" terrorista está em linha com a notícia de que o bombista suicida, Salman Abedi, era uma "mula" de outro terrorista. A notícia foi avançada esta quarta-feira pelo correspondente da BBC sobre assuntos de segurança Frank Gardner.

Gardner explicou, na rádio da BBC, que os investigadores acreditam que o bombista não agiu sozinho porque o ataque exigiu um planeamento cuidado e o engenho era demasiado sofisticado para ser criado apenas por um indivíduo e particularmente apenas por este indivíduo. 

É que, segundo a informação reunida pelas autoridades, Salman Abedi chegou ao Reino Unido, proveniente da Líbia, há apenas alguns dias, “o que não lhe daria tempo suficiente para construir este engenho”.

Os serviços secretos não querem correr riscos porque acreditam que o bombista não atuou sozinho. Isto era um engenho demasiado sofisticado para ser criado por um homem só, particularmente este homem, Salman Abedi”, frisou o jornalista da BBC.

Os serviços secretos elevaram o alerta de ameaça terrorista para o nível máximo, o que aconteceu pela primeira vez nos últimos dez anos. Gardner explicou que não há informação credível de que vá acontecer um novo ataque. No entanto,o alerta teve de ser elevado precisamente por se acreditar que há mais alguém implicado no planeamento do ataque e na criação da bomba.

“O bombista estaria a carregar a bomba para outra pessoa. Uma pessoa que ainda está à solta. E, por isso, os serviços secretos foram obrigados a assumir que há a possibilidade de um novo ataque. No pior cenário possível, este indivíduo pode fabricar mais engenhos e armar mais 'mulas'. Esperemos que não seja o caso.”