11 de setembro. Faz este sábado 20 anos que um grupo de terroristas realizou o maior ataque de sempre no coração de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Quatro aviões foram tomados por terroristas da Al-Qaeda. 

Ninguém esquece onde estava, o que estava a fazer e os segundos, minutos, horas e dias que se seguiram a estes atentados, que foram símbolo de caos e tristeza para uma nação em particular e para o mundo, no geral. Mas, certamente, há muita informação que entretanto se perdeu nas nossas mentes.

Quando se completam 20 anos que o mundo mudou de forma trágica, lembramos-lhe 20 factos que provavelmente já esqueceu.

1. Quem eram os terroristas e em que aviões seguiam?

19. Foi este o número de terroristas dentro dos quatro aviões envolvidos no 11 de setembro. O primeiro voo saiu quando o relógio precisava as 07h59 (hora local). 

De Boston, e com destino a Los Angeles, o voo 11 da American Airlines seguia com 92 pessoas a bordo. Cinco eram terroristas: Mohamed Atta, Al Suqami, Alomari, Waleed e Wail Alshehri. 

O segundo avião a descolar, o 175 da United Airlines, às 08h14, partiu com cerca de 15 minutos de atraso, também de Boston com destino a Los Angeles. Nesta aeronave seguiam 65 pessoas, dessas, cinco terroristas. Eram eles Al-Shehhi, Alghamdi, Al Qadi Banihammad, Hamza Alghamdi e Alshehri.

O terceiro avião também partiu com dez minutos de atraso, o 77 da American Airlines, às 08h20, do Aeroporto Internacional Washington Dulles, com destino a Los Angeles. 

Aqui seguiam 69 passageiros, entre os quais, cinco terroristas: Moqed, Almihdhar, Nawaf Alhazmi, Salem Alhazmi e Hanjour.

A última aeronave, o voo 93 da United Airlines, partiu de Newark às 08h42 com destino a São Francisco, na Califórnia. A bordo seguiam 44 passageiros, entre eles, quatro terroristas: Alghamdi, Al Haznawi, Alnami e Jarrah. 

De notar que todos os aviões escolhidos pelos terroristas iam fazer um trajeto costa a costa nos Estados Unidos. A razão? Assim, iam carregados de combustível, o que ajudou a causar maior destruição e mais mortes. 

2. Quais eram as nacionalidades dos terroristas?

No voo 11, o primeiro, seguia Mohamed Atta, o único cidadão do Egito. Os restantes (Abdul Aziz al Omar, Wail al Shehri, Waleed al Shehri e Satam al Suqami) eram da Arábia Saudita.

Já no voo 175, que embateu na segunda torre, seguiam dois terroristas com nacionalidade dos Emirados Árabes Unidos, Fayez Banihammad  e Marwan al Shehhi, e os restantes eram da Arábia Saudita: Ahmed al Ghamdi, Hamza al Ghamdi e Mohand al Shehri.

No voo 77, todos os terroristas (Hani Hanjour, Nawaf al Hazmi, Salem al Hazmi, Khalid al Mihdhar e Majed Moqed) eram também sauditas. 

No voo 93, tirando Ziah Jarrah, que era do Líbano, os restantes eram provenientes também da Arábia Saudita (Saeed al Ghamdi, Ahmad al Haznawi e Ahmed al Nami).

Contas feitas, a grande maioria dos 19 terroristas eram da Arábia Saudita (15), tal como o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden. Eram todos homens de confiança daquele que passou a ser o homem mais procurado do mundo. 

3. Quanto tempo separa o embate dos aviões contra as torres?

Apesar do terror já ter começado para quem seguia dentro dos aviões, o mundo só teve conhecimento de que algo não estava bem às 08h46, quando o primeiro avião embateu contra a Torre Norte do World Trade Center. 

A colisão ocorreu entre os andares 93 e 99 daquele edifício, que tinha um total de 110. 

Esse primeiro impacto vitimou logo centenas de pessoas, entre as que seguiam na aeronave e as que se encontravam acima do 91º andar. 17 minutos depois, às 09h03, sente-se o segundo embate. 

Desta vez, o voo 175 dirigiu-se à Torre Sul do World Trade Center, entre o 77º e o 85º andares.

4. Qual das torres desabou primeiro?

Contrariamente ao que muitos pensam, a primeira torre a desabar foi a segunda a ser atingida. 56 minutos após a colisão, a Torre Sul desmoronou, em pouco mais de 10 segundos. 

29 minutos após a queda da Torre Sul e cerca de 1h40 após ser atingida pelo voo 11, a Torre Norte acabou também por desabar. 

5. Onde embateu o terceiro avião? 

O voo 77 dirigiu-se ao Pentágono, embatendo naquela que é a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, na Virgínia.

Seguiu-se um brutal incêndio que vitimou os 64 passageiros que seguiam a bordo e ainda mais de uma centena de militares e civis que se encontravam nas imediações do edifício.

6. Para onde iria o quarto avião?

O voo 93 acabou por se despenhar perto de Shanksville, na Pensilvânia. Ao se terem apercebido dos ataques no World Trade Center, os passageiros terão entrado na cabine e feito frente aos terroristas. Caso este tivesse seguido o percurso previsto pelos terroristas, a administração norte-americana acreditava que o alvo seria o Capitólio ou a Casa Branca, ambos em Washington.

As autoridades desmentiram uma teoria que entretanto se formou, sobre este avião ter sido abatido pela força aérea norte-americana.

7. Quantas pessoas morreram?

Os quatro ataques a 11 de setembro vitimaram um total de 2.996 pessoas, incluindo os 19 sequestradores. Cidadãos de 78 países morreram em Nova Iorque, Washington DC e na Pensilvânia.

No World Trade Center, contam-se 2.763 mortos, após os dois aviões baterem contra as torres gémeas e estas caírem. Já no Pentágono, registaram-se 189 óbitos, 64 dos quais seguiam no voo 77 e embateram contra o edifício. Já no voo que se despenhou  na Pensilvânia, morreram as 44 pessoas que lá seguiam.

As vítimas tinham idades entre os dois e os 85 anos. Aproximadamente 75 a 80% das vítimas eram homens. 

8. Entre as vítimas mortais das Torres, quantas eram socorristas?

Entre as vítimas que morreram nas Torres do World Trade Center, 343 faziam parte da equipa de bombeiros e paramédicos, 23 das forças de segurança de Nova Iorque e 37 da Autoridade Portuária, que lutaram para tentar a evacuação dos prédios e retirar as pessoas presas nos andares superiores aos dos embates.

9. Quantos e quem eram os portugueses que morreram nos atentados?

O atentado terrorista tirou a vida a cinco portugueses: António Rocha, António Rodrigues, Carlos da Costa, João Aguiar e Manuel Mota.

António Rocha tinha 34 anos e trabalhava nas Torres Gémeas, assim como João Aguiar, de 30 anos. António Rodrigues, de 36, e Carlos da Costa, de 41, eram ambos trabalhadores na Autoridade Portuária, e morreram a tentar ajudar pessoas na fuga das torres. Já Manuel Mota foi até ao World Trade Center para uma reunião de trabalho.

10. Como é que George W. Bush soube da notícia?

Na altura na presidência dos EUA, George W. Bush encontrava-se numa visita oficial a uma escola primária na Flórida quando ocorreram os atentados às torres em Nova Iorque. 

O presidente dos EUA foi informado da colisão de um avião contra a Torre Norte, cerca das 08h50, e acreditou tratar-se de um acidente. Cerca de 15 minutos depois, Andrew Card, chefe de gabinete de Bush, informou o presidente que a América estava, na verdade, a ser alvo de vários ataques. 

George W. Bush prosseguiu a leitura que estava a fazer aos alunos e, quando saiu, descreveu aqueles ataques como uma “tragédia”.

11. Ainda há mortos da tragédia por identificar

Foram identificadas mais duas vítimas mortais do 11 de setembro recentemente, dias antes de se completarem 20 anos desde o ataque.

Uma das vítimas foi identificada como Dorothy Morgan, residente em Hempstead. A identidade da segunda pessoa, um homem, não terá sido revelada a pedido da família. Ambos os corpos foram identificados através de uma tecnologia avançada de ADN.

De recordar que a última vítima identificada tinha sido em 2019, de acordo com a CNN. Haverá agora ainda 1.106 pessoas por identificar. 

12. Quando acabaram os trabalhos de limpeza do local?

Durante vários meses após os ataques, milhares de trabalhadores estiveram empenhados no local, a remover os destroços de um dia negro que jamais será esquecido. 

A limpeza do local foi concluída a 30 de maio de 2002. Foram precisas mais de 3,1 milhões de horas de trabalho para limpar cerca de 1,8 milhões de toneladas de destroços. Este processo rondou os 750 milhões de dólares de custo.

13. O novo World Trade Center tornou-se o edifício mais alto dos EUA

O novo World Trade Center 1 tornou-se o edifício mais alto dos Estados Unidos. Este é o principal edifício do novo complexo do World Trade Center em Nova Iorque.

As obras de construção tiveram início em abril de 2006 e foram concluídas em 2014. Foi reconstruído, em parte, o complexo original do World Trade Center, destruído em 2001.

14. Quanto foi pago em indemnizações às famílias e vítimas?

Após o processo de limpeza daquele local, era tempo de tentar minimizar a dor e os danos provocados por aqueles ataques. 

De acordo com informação recolhida pelo History Channel, de 2001 a 2004, mais de sete mil milhões de dólares foram dados às famílias das vítimas do 11 de setembro e às 2.680 pessoas feridas nos ataques. 

A Lei James Zadroga 9/11 de Saúde e Compensação foi renovada pelo à época presidente dos EUA, Barack Obama. 

Em 2015, o financiamento para o tratamento de pessoas que desenvolveram doenças relacionadas com os atentados do 11 de setembro foi renovado por mais cinco anos, num total de 7,4 mil milhões de euros. 

A 29 de julho de 2019, Donald Trump, na altura presidente dos Estados Unidos, assinou uma lei que autorizava o apoio ao Fundo de Compensação das Vítimas do 11 de setembro até 2092.

15. Milhares morreram devido a doenças provocadas pelo 11 de setembro

Estima-se que foi maior o número de pessoas a morrer de doenças relacionadas com os ataques do 11 de setembro do que as que morreram no próprio dia. 

O relatório foi esta semana avançado pelo Fundo de Compensação à Vítima (VCF), que recebeu mais de 67 mil reivindicações desde a sua abertura, em 2011. Dessas reclamações, 3.900 foram feitas por pessoas que morreram de uma doença relacionada com os ataques terroristas.

Recorde-se que foram milhares os socorristas e pessoas que trabalham e vivem na baixa de Manhattan, perto do Ground Zero, e que foram expostos a fumos tóxicos e partículas emanadas das torres no momento da sua destruição.

 Em 2018, estimava-se mesmo que cerca de 10 mil pessoas tenham sido diagnosticadas com cancro relacionado com a inalação dessas partículas. 

16. As histórias de quem escapou

Se um lapso ou um atraso são geralmente vistos como azares, para quem ia ter uma reunião e não compareceu, não apanhou um destes aviões ou simplesmente foi despedido, foi um golpe de sorte.

É o caso de Monica O’Leary, que trabalhava numa das Torres Gémeas e foi despedida no dia anterior aos ataques nas torres do World Trade Center. 

17.  Os primeiros a dar a notícia

Às 08h49, três minutos após o primeiro avião embater na torre Norte, a CNN deu a informação de que houve um “desastre” no World Trade Center, sem avançar do que se trataria.

“Temos relatos não confirmados de que um avião embateu contra uma das torres do World Trade Center. A CNN está agora a tentar apurar o que terá acontecido”, avançou a jornalista em direto. Paralelamente, o site da BBC mostrava uma fotografia da Torre Norte em chamas. 

Nesse momento, estava a ser noticiado o embate de uma aeronave na torre e o incêndio sem, no entanto, se falar ainda em ataque terrorista. 

18. Para onde seguiram os destroços?

Para muitos, é símbolo da resiliência da cidade de Nova Iorque, para outros será sempre uma ferida aberta. 

É em Fresh Kills, Staten Island, que se encontrava o maior aterro sanitário a céu aberto do mundo e que agora abriga destroços do World Trade Center. 

Desde o primeiro dia de trabalhos e até ao fim, foram movidas 600 mil toneladas de destroços, com o cuidado necessário à procura de objetos e possíveis vítimas.

Também em Portugal, uma viga que pertenceu às Torres Gémeas permanece há 20 anos numa quinta particular em Alverca. Com cerca de 2,5 toneladas, chegou a esta quinta situada no concelho de Vila Franca de Xira, poucos meses depois do 11 de Setembro, pelas mãos do proprietário do espaço, que pagou o seu transporte de barco dos Estados Unidos para Portugal (cerca de oito mil euros). 

19.Quando foram divulgadas as primeiras imagens do atentado ao Pentágono?

Os atentados às torres em Nova Iorque foram assistidos por milhões de pessoas, em direto, em todo o mundo. No entanto, relativamente ao Pentágono, apesar do atentado ter acontecido em 2001, só em 2006 foram divulgadas as primeiras imagens.

O vídeo, captado pelas câmaras de vídeovigilância, mostra o avião a colidir com o edíficio de diferentes ângulos.

20. A foto falsa que se tornou viral

Pouco tempo após o atentado, surgiu uma fotografia que se tornou viral na Internet. A imagem mostrava um homem a ser fotografado no topo do World Trade Center.

Na altura, a fotografia (que supostamente mostrava o momento em que um avião estava pretes a atingir uma das torres) tornou-se um fenómeno, mas não muito tempo depois os cibernautas começaram a ‘desconstruir’ a montagem, chegando-se mesmo à conclusão que terá sido tirada em 1997 e não em 2001, aquando do atentado.

Imagem falsa do 11 de setembro que se tornou viral