O Governo indonésio acusou esta sexta-feira o Presidente francês, Emmanuel Macron, de desrespeitar o Islão ao defender as caricaturas de Maomé, um dia depois de condenar o ataque jihadista na cidade francesa de Nice.

As declarações (de Macron) ofenderam cerca de dois mil milhões de muçulmanos no mundo e causaram a divisão entre as religiões do mundo", disse o Ministério das Relações Exteriores da Indonésia, o país muçulmano mais populoso do mundo, em comunicado.

 

A liberdade de expressão não deve ser exercida de maneira que manche a honra, a santidade e a sacralidade dos valores e símbolos religiosos", acrescentou.

As acusações surgem um dia depois do atentado numa igreja em Nice por um tunisino que matou três pessoas com uma faca, facto que as autoridades indonésias condenaram, expressando as suas condolências às vítimas e suas famílias.

A Indonésia junta-se assim a outros países como o Irão e o Bangladesh nas críticas ao presidente francês, que na semana passada disse que a França "não vai renunciar às caricaturas" de Maomé.

Macron fez o comentário depois de um jovem jihadista ter decapitado um professor de história francês numa escola nos arredores de Paris em 16 de outubro por mostrar aos alunos as caricaturas de Maomé publicadas pela revista satírica Charlie Hebdo, alvo de um ataque jihadista em 2015.

Grupos muçulmanos convocaram para hoje um protesto na embaixada de França em Jacarta, mas adiaram para segunda-feira, e também há manifestações contra Macron na cidade de Medan, na ilha de Sumatra.

Na Malásia, o ex-primeiro-ministro Mahathir Mohamad fez comentários polémicos na quinta-feira na rede social Twitter, mas retirou-os horas depois.

Mohamad, que assegurou que "como muçulmano não aprova o assassinato", chegou a dizer numa longa lista de mensagens que "os muçulmanos têm o direito de se zangar e matar milhões de franceses pelos massacres cometidos pela França no passado".

/ LF