Jackie Chan, o ator e herói de artes marciais no cinema, lançou uma autobiografia intitulada “Never Grow Up” ("Nunca cresças", em tradução livre), onde revela os seus problemas com o álcool, a violência com o filho e as suas excentricidades.

O livro, que foi publicado em chinês em 2015 e lançado em inglês esta terça-feira, revela uma de série de confissões do ator de 64 anos que deixaram os fãs surpreendidos.

Na obra, Jackie Chan afirma que gastou grande parte da sua fortuna em prostitutas, jogo e “presentes excêntricos”. O artista culpa a “insegurança e imaturidade” pelo passado que incluiu comportamentos de risco como conduzir embriagado e bater com dois carros de luxo no mesmo dia.

Conduzi bêbado o dia inteiro. De manhã, bati com o meu Porsche, e à noite bati com um Mercedes-Benz. Passei o dia inteiro na escuridão”, pode ler-se em “Never Grow Up”.

Nascido em Hong Kong, Jackie Chan já era um ator de cinema de sucesso quando, nos anos 90, começou a ganhar fama internacionalmente. No livro, o ícone de artes marciais afirma que “quando a fama o encontrou” começou a ganhar 500 mil dólares (aproximadamente 445 mil euros) e foi a partir daí que decidiu gastar dinheiro em várias excentricidades.

Entrei numa loja de relógios e disse: ‘Mostre-me os seus dez melhores relógios. São os mais caros? São os que têm mais diamantes? Ótimo, vou levar sete… e vou usá-los todos’”.

De origens pobres, Jackie Chan afirma ainda que começou a gastar grandes quantias de dinheiro no início da carreira, porque lhe dava uma sensação de segurança.

Todos sabíamos que se alguma coisa corresse mal não conseguiríamos ver o sol no dia seguinte. Tínhamos uma mentalidade curta, o que significa gastar o dinheiro de forma imprudente.”

O ator, que protagonizou vários filmes como “Karaté Kid”, revela que gostava de se rodear de várias pessoas para se sentir mais seguro e confiante com a sua fortuna.

Gostava de ter muitas pessoas à minha volta e todas as refeições eram com grandes grupos. Há 10 anos gastei dois milhões de dólares [um milhão e 759 mil euros, aproximadamente] em refeições com outras pessoas. Também ofereci presentes excêntricos; relógios, carros, casacos de pele feitos à medida, caixas de vinhos caros”.

Jackie confessa ainda ter sido “um grande idiota” na sua vida privada, revelando que chegou a tratar mal várias mulheres e, até, o filho Jaycee.

Peguei nele com uma mão a atirei-o para o fundo da sala e ele bateu contra o sofá. Com a força que tive, se ele tivesse batido contra um banco poderia ter sido muito sério.”

Chan confessa que se arrependeu imediatamente das suas ações e que prometeu a ele mesmo que nunca mais iria bater no filho.

Levo as minhas promessas muito a sério e sou um homem de palavra. Nunca mais lhe bati.”

Para além disso, revela ainda que traiu a sua mulher, Joan Lin, e que estava tão paranóico com a ideia de que ela era uma ‘caçadora de fortunas’ que se afastava para gastar o dinheiro longe da mesma.

A autobiografia de Jackie Chan foi publicada depois da sua filha, Etta Ng, ter revelado que tinha casado com a namorada, Andi Autumn.

Em maio, Etta confessou que chegou a viver na rua porque o pai não aceitou a sua homossexualidade. O ator não respondeu às acusações da filha e não a incluiu na sua autobiografia.