Um menor de 15 anos e a sua mãe foram expulsos, na sexta-feira, de um voo da companhia aérea Ryanair depois desta lhes querer cobrar uma taxa extra de bagagem de mão pela boneca que o rapaz transportava na mão e queria levar ao colo durante a viagem. O voo fazia a ligação entre Alicante, Espanha, e o Reino Unido.

O caso ficou conhecido depois de a mãe, Helen Estella, ter denunciado, através de uma publicação na rede social Facebook, a forma como ela e o filho foram escorraçados do avião.

Ao que Helen explicou, o filho, Leo, de 15 anos, sofre de autismo profundo e, ao tentar embarcar num voo com uma boneca de estimação, as assistentes de bordo rapidamente intervieram e disseram que para o rapaz viajar com a boneca ao colo teria de lhes ser cobrado uma taxa extra, de cerca de 29 euros, porque a boneca era considerada uma bagagem de mão extra. 

Este é meu filho Leo, tem 15 anos, sofre de autismo profundo e tem a capacidade mental de uma criança de 3 anos. Esta noite a Ryanair recusou-se a deixá-lo voar para casa porque estava perturbado por não o deixarem ficar com a sua boneca e exigiram o pagamento de uma taxa de bagagem."

Leo, apesar de ter 15 anos, tem, segundo a mãe, a mentalidade de uma criança de apenas três. E, ao aperceber-se de toda aquela confusão e insistência por parte dos funcionários, ficou bastante perturbado. Os assistentes de bordo, por sua vez, decidiram chamar a polícia para que esta resolvesse o assunto. 

Helen explica que apareceram quatro ou cinco polícias, que cercaram o filho, tocaram-lhe e agarram-no sem que lhes desse permissão para tal.

A polícia foi chamada e 4/5 agentes cercaram-no no aeroporto de Alicante. Eles tocaram-lhe sem a sua permissão."

Na publicação, Helen alertou que nem todas as doenças são visíveis e que este tipo de atitudes e comportamentos levariam a que o filho tivesse uma crise nervosa. Disse ainda que pediu assistência médica, mas que esta lhe foi negada. 

Se tivessem alguma consciência sobre o que é autismo, saberiam que isso resultaria numa crise nervosa. A assistência especial foi solicitada, uma vez que nem todas as deficiências são visíveis, mas foi-nos negada pela Ryanair porque Leo conseguia andar. Ele teve de ser levado ao médico do aeroporto e medicado."

Os funcionários da Ryanair decidiram descarregar a bagagem de Leo e da mãe sem que lhes fosse apresentada qualquer outra alternativa para poderem embarcar de regresso a casa. Aparentemente, ainda aproveitaram a situação para os informar que não havia outros voos até à próxima terça-feira. O incidente aconteceu no sábado, dia 27 de abril.

Helen, em completo desespero, deslocou-se até ao balcão da Jet2, uma companhia aérea britânica low cost, e pediu ajuda para acalmar o filho e comprar novos bilhetes para poder regressar a casa o mais rápido possível. 

Anna e Mark [que aparecem nas fotos da publicação] foram excepcionais (...) ficaram com o Leo enquanto comprava novos bilhetes de avião, ficaram sentados no chão com ele, uma vez que ele estava apavorado por embarcar novamente e tentaram acalmá-lo."