A Boeing admitiu ter conhecimento do problema com o modelo de avião 737 Max um ano antes de a aeronave ter estado envolvida em dois acidentes fatais que causaram a morte a 346 pessoas.

Em causa estava uma ferramenta concebida para alertar os pilotos quando dois sensores diferentes estão a reportar dados contraditórios. A Boeing garante que estava a desenvolver esforços para que o instrumento fosse instalado em todos os aviões e diz só ter percebido que era de instalação opcional depois de ter começado a entregar os novos modelos do 737 Max. Segundo a empresa, o problema "não tinha impacto adverso na segurança e operacionalidade dos aviões" e, portanto, o instrumento seria tornado padrão mais tarde, através de uma atualização do software. 

Em março de 2019, um acidente com um avião da Ethiopian Airlines fez 157 mortos e, cinco meses antes, 189 pessoas tinham morrido depois de um Boeing 737 da Lion Air se ter despenhado. 

O organismo que regula a aviação civil nos EUA disse entretanto à agência Reuters que a Boeing só informou as autoridades do problema com o software cerca de um mês depois do acidente com o avião da Lion Air e que a questão foi, na altura, considerada uma falha de "baixo risco".

Porém, e segundo a Boeing, em ambos os acidentes fatais, o instrumento em causa forneceu dados incorretos ao Manoeuvring Characteristics Augmentation System (MCAS), o sistema da Boeing que também tem estado sob escrutínio e cujo objetivo é impedir uma aeronave de paralisar, ativando-se de forma automática para garantir que o avião não perde sustentação.