Uma baleia beluga, que foi vista terça-feira no rio Tamisa, perto da cidade de Gravesend, a cerca de 50 quilómetros de Londres, reapareceu esta quarta-feira perto da capital britânica, a centenas de quilómetros do habitat natural no Ártico, noticia a agência Reuters.

A Autoridade Portuária de Londres avisou as embarcações que navegam no rio para "terem muita atenção e manterem uma distância segura e de respeito”.

Danny Groves, da Sociedade para Conservação de Baleias e Golfinhos, disse à BBC News que a baleia está a "milhares de quilómetros de onde deveria estar" e "obviamente muito perdida e possivelmente em perigo".

Pedimos para que a baleia não seja perturbada", acrescentou.

O alerta foi dado primeiro pelo biólogo Dave Andrews, na terça-feira, através do Twitter, onde partilhou um vídeo do mamífero marinho a nadar no rio durante cerca de uma hora. O especialista afirmou que o cetáceo estava a alimentar-se perto de barcos em Gravesend.

 

A organização British Divers Marine Life Rescue (Mergulhadores Britânicos de Socorro à Vida Marinha) enviou elementos para o local.

O perito do Museu de História Natural, Richard Sabin, confirmou ser efetivamente uma baleia beluga, "Delphinapterus leucas", que normalmente habita nas águas frias do Ártico.

A cor do corpo branco, a ausência de uma barbatana dorsal proeminente, a testa bulbosa e o movimento geral, tudo sugere que esta é uma baleia beluga", afirmou.

A porta-voz da British Divers Marine Life Rescue, Julia Cable, disse à BBC News que a baleia vista no Tamisa estava “a nadar com vigor" e, se tudo correr bem, deve nadar de volta para o mar.

Uma outra organização, a Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (Sociedade Real para a Prevenção da Crueldade Contra Animais) comunicou que tem conhecimento de que há relatos de uma baleia no rio.

"Estamos a trabalhar com outras agências para monitorizar a situação e estamos preparados para fornecer a assistência apropriada se necessário", garantiu.

As baleias beluga são encontradas com maior frequência nas águas ao redor da Rússia, Alasca, Canadá, Oeste da Gronelândia e Svalbard. Estes animais marinhos, que podem atingir até 5,5 metros de comprimento, vivem em estuários, plataformas continentais e bacias oceânicas profundas em águas abertas e geladas e não estão habituadas a água doce, pelos que os especialistas esperam que se afaste quando mudar a maré.

Este não é o primeiro cetáceo a entrar no rio Tamisa. Em janeiro de 2006, uma baleia de bico de garrafa de seis metros de comprimento saiu das águas profundas do Atlântico Norte e chegou até ao centro da capital britânica, onde acabou por morrer por desidratação e stress após várias tentativas de salvamento.