A menina síria de sete anos que deu a conhecer a sua história ao mundo através de uma conta de Twitter conseguiu, finalmente, sair da zona cercada de Alepo.

Bana al-Abed saiu da área rebelde num dos autocarros disponibilizados para a retirada de civis e encontra-se na zona rural dos arredores de Alepo, confirmou o presidente da Sociedade Médica Síria Americana, Ahmad Tarakji, no Twitter. A criança está entre as cerca de 3.500 pessoas que conseguiram sair da cidade.

A criança surge numa foto publicada na conta de Tarakji, sorridente e ao colo de um voluntário.

Nos últimos meses, a menina síria tornou-se mais um símbolo da guerra civil que dura há quase seis anos. Foi a mãe de Bana, Fatemah, que decidiu criar uma conta na rede social com o nome da filha, onde foi relatando o dia-a-dia da criança e dos seus irmãos na zona controlada pelos rebeldes, que esteve sujeita a bombardeamentos do Governo e da Rússia até há poucos dias.

Fatemah foi uma das muitas vozes que tentou pedir ajuda externa a partir de Alepo, apelando diretamente a personalidades influentes como o presidente dos EUA, Barack Obama, ou a primeira-dama, Michelle Obama.

Nas publicações – que eram assinadas como Fatemah ou Bana – pedia que parassem com os bombardeamentos à cidade e com a matança que se tornou rotina, que parassem de destruir casas, escolas e hospitais.

Por várias vezes, Bana despediu-se dos seus seguidores, achando que a sua publicação da altura seria a última e lamentando que o fim pudesse estar próximo. As suas confidências eram normalmente acompanhadas de fotografias e vídeos dos bombardeamentos e seus efeitos, como são exemplo as várias fotos de cadáveres entre escombros.

“#SaveAleppo” ou “#StandforAleppo” eram duas hastags comuns nas publicações que rapidamente se tornavam virais e ajudaram a divulgar o que se passa naquela parte da cidade.

Numa entrevista à CNN, a mãe de Bana chegou a refutar as acusações do governo sírio, que a acusava de usar a filha como propaganda antirregime. “Ainda estou aqui. Sou real. Ainda luto pela vida das minhas crianças. Não somos propaganda, somos pessoas reais. Somos pessoas de Alepo.”