As autoridades da cidade de Feni, no Bangladesh, decidiram acusar 16 pessoas envolvidas no homicídio de uma jovem que foi queimada viva depois de ter apresentado queixa por assédio sexual contra o diretor da escola que frequentava. A decisão tomada nesta quarta-feira surge depois de muita revolta popular a propósito do caso.

Entre os 16 acusados está o diretor da escola, Siraj Doula, por ter, alegadamente, encomendado o assassinato de Nusrat. As autoridades descrevem o homicídio como premeditado, afirmando que parece ter sido preparado como um “plano militar”. Também dois políticos da cidade de Feni estão acusados do homicídio, depois de terem defendido posições a favor do assassinato.

As autoridades estão a pedir a pena de morte para todos os 16 acusados. Entretanto, o diretor da escola já terá confessado que encomendou o homicídio da jovem, tornando-se autor moral do ato.

Nusrat Jahan Rafi denunciou o diretor da escola que frequentava por assédio sexual, algo pouco comum no Bangladesh, onde as mulheres escondem este tipo de situações por temerem repercussões da família ou da sociedade. Nusrat, de 19 anos, teve a coragem de levar a queixa para a frente, o que acabou com a jovem a ser queimada viva, menos de duas semanas depois.

Quando Nusrat se dirigiu à polícia para apresentar a queixa por assédio, as autoridades desvalorizaram o episódio, chegando a filmar o momento em que, de acordo com a BBC, se ouve um dos agentes a dizer que “a queixa não é grande coisa”.

Após a denúncia, ocorrida a 27 de março, o diretor da escola foi detido. Mas um movimento de apoio ao professor, que culpabilizava a jovem pelo episódio de assédio, levou a que Doula fosse libertado. Passados 11 dias, Nusrat decidiu voltar à escola para fazer os exames finais do ano letivo, quando lhe foi exigido que retirasse a queixa contra o diretor. Perante a recusa da jovem, várias pessoas, entre as quais algumas mulheres, decidiram atear fogo a Nusrat, utilizando querosene.

O crime chocou o Bangladesh, incluindo o primeiro-ministro do país, Sheikh Hasina, que afirmou que todas as pessoas responsáveis pela morte de Nusrat deveriam responder perante a Justiça.

Nenhum dos culpados vai ser poupado da ação legal”, disse o primeiro-ministro do Bangladesh

Feni fica a 160 quilómetros da capital do Bangladesh, Dhaka.