«surpresa cubana de Barack Obama»




























Em plena fase de discussão no Congresso sobre o relatório que explicita as práticas de tortura da CIA, nos anos pós-11 de Setembro, é legítimo que critiquemos o recurso dos EUA a atos como o «waterboarding» (já agora, sondagem CBS News mostra que 49% dos americanos admite que, «por vezes», essa prática pode ser justificável, contra apenas 36% garante que isso nunca se justifica).

Diane Feinstein, senadora democrata da Califórnia, tem sido uma das vozes mais críticas do que se fez durante os anos Bush/Cheney.

Obama tem-se mantido distante dessa discussão, percebendo, naturalmente, que um Presidente dos EUA deve ter relação especial e delicada com a CIA (agência fundamental na luta contra o terrorismo e outras ameaças à segurança nacional). E convém lembrar que o programa de drones, amplamente promovido durante os anos Obama, também gerou vítimas inocentes e não estará livre de ser alvo de relatório idêntico, daqui a uns anos.

Mas não deixa de ser notável que uma sociedade como a americana seja capaz de se auto-questionar desta maneira. Que outro país o faria, desta forma tão aberta e crua?

Obama, sempre pragmático, está cada vez mais solto para, nos últimos dois anos, já sem qualquer trunfo no Congresso, assumir a sua liderança a partir da Casa Branca.

Depois da «surpresa cubana», termina o ano com o epíteto, justo e estimulante, de... Barack Havana.

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»