Barack Obama fez esta quarta-feira a primeira aparição pública na campanha de Joe Biden às eleições presidenciais norte-americanas, que decorrem no próximo dia 3 de novembro. O antigo presidente dos Estados Unidos, que teve Biden como vice-presidente, aproveitou o discurso proferido na cidade de Filadélfia para atacar Donald Trump.

Começando por apelar ao voto nos candidatos do Partido Democrata, Joe Biden para presidente e Kamala Harris para vice-presidente, Barack Obama falou nestas eleições como "as mais importantes" para os Estados Unidos, aproveitando para apelar ao voto e relembrar que não é preciso esperar para votar, uma vez que é possível fazê-lo através de correspondência ou online.

Têm de ler as instruções com cuidado para garantir que o vosso voto conta. Se já votaram, têm de ajudar os vossos amigos e familiares a votar. O que fizermos nos próximos 13 dias vai contar para as próximas décadas", disse.

O antecessor de Donald Trump afirmou que não esperava uma continuação das suas políticas, mas que "esperava, pelo bem do país, que ele mostrasse algum interesse em levar o cargo a sério, mas isso não aconteceu".

Não mostrou nenhum interesse em fazer o seu trabalho ou em ajudar alguém além de si próprio ou dos seus amigos", acrescentou.

Barack Obama referiu que o atual presidente dos Estados Unidos vive o cargo como um "reality show", mas que o cenário é bem real, relembrando as mais de 200 mil vítimas mortais provocadas pela covid-19 no país.

Perderam-se milhões de empregos, a nossa orgulhosa reputação mundial está em farrapos", referiu.

Voltando a falar nas políticas de Donald Trump, Barack Obama afirmou que as únicas pessoas que melhoraram a condição de vida foram os amigos do atual presidente, aludindo às milhares de pessoas que passam por dificuldades económicas para pagar contas como a renda de casa.

Outra das críticas foi para os "negócios que Trump mantém com a China", com Obama a recordar os casos de alegadas fugas aos impostos do presidente.

Dirigindo-se aos eleitores, Barack Obama pediu um voto no "amigo Joe Biden", como forma de mudar o rumo dos acontecimentos.

Voltando ao ataque a Trump, Obama disse que o povo norte-americano enfrenta um novo aumento de casos diários de covid-19, apontando que não é o atual presidente dos Estados Unidos que vai defender eficazmente o povo.

Donald Trump nem consegue dar os passos básicos para se proteger a ele próprio", atirou.

Ainda sobre a pandemia, Barack Obama voltou a mencionar uma má gestão da situação, dando exemplos de países como Canadá ou Coreia do Sul, que tiveram, segundo o próprio, uma melhor reação.

A resposta à crise sanitária vem, de acordo com o antigo presidente, de Joe Biden, que tem a solução para ajudar os norte-americanos a protegerem a saúde e a reavivarem a economia.

No ponto da saúde, Obama relembrou o seu programa Obamacare, uma espécie de sistema nacional de saúde, que "os republicanos tentaram rejeitar mais de 60 vezes, prometendo uma substituição".

Eles têm dito que chega nas próximas semanas durante dez anos. Onde está este plano? Não existe, nunca tiveram um", cifrou, acrescentando que essa má gestão continuou durante a pandemia.

Barack Obama foi presidente dos Estados Unidos entre 2008 e 2016, altura em que Donald Trump o sucedeu no cargo.

António Guimarães