O antigo presidente dos Estados Unidos Barack Obama foi à COP26, em Glasgow, Escócia, lamentar a ausência de líderes de países como a China e a Rússia, que deveriam ser dos principais interessados em combater as alterações climáticas. 

Devo confessar que foi particularmente desanimador ver os líderes de dois dos maiores emissores do mundo, China e Rússia, recusarem-se a comparecer no processo”, disse, nesta segunda-feira, durante o seu discurso na 26.ª conferência do clima das Nações Unidas. 

Segundo Obama, "os seus planos nacionais até agora refletem o que parece ser uma perigosa falta de urgência, uma vontade de manter a situação atual por parte desses governos, e isso é uma pena".

Além da Rússia e China, apelou a um maior envolvimento e “liderança" da Indonésia, da África do Sul e do Brasil, vincando: "Não podemos permitir ninguém à margem.”

Em 2015, Obama desempenhou um papel importante no Acordo de Paris, o qual o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente russo, Vladimir Putin, também aprovaram.

O antigo chefe de Estado (entre 2009 e 2017) reconheceu que a cooperação internacional tem vindo a reduzir-se e as tensões geopolíticas a aumentar, em parte por causa da pandemia, mas também um resultado da presidência de Donald Trump, entre 2017 e 2020. 

Porém, sublinhou, “existe algo que deve transcender a nossa política quotidiana e geopolítica normal, e isso são as alterações climáticas".

Decisores políticos e milhares de especialistas e ativistas reúnem-se até sexta-feira na COP26 para atualizar os contributos dos países para a redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030 e aumentar o financiamento para ajudar países afetados a enfrentar a crise climática.

A COP26 decorre seis anos após o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta entre 1,5 e 2 graus celsius acima dos valores da época pré-industrial.

Apesar dos compromissos assumidos, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica causada pela pandemia de covid-19, segundo a ONU, que estima que ao atual ritmo de emissões, as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7 ºC.

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