Milhares de manifestantes ocuparam as ruas e as principais praças de Barcelona, na Catalunha, esta segunda-feira, num protesto contra as sentenças aplicadas a antigos membros da administração autónoma.

A manifestação, que foi crescendo em número e em densidade ao longo do dia, já levou ao bloqueio de vários serviços, nomeadamente dos transportes públicos.

Em várias localidades da Catalunha houve grupos de manifestantes independentistas a juntarem-se, cortando estradas e impedido comboios de circular.

Em Barcelona, o aeroporto de El Prat foi mesmo invadido, com o objetivo a ser cumprido: houve voos cancelados e o caos entre os passageiros.

Os milhares de manifestantes queriam impedir os voos de descolarem e os conflitos entre os Mossos d'Esquadra – a polícia regional – e os independentistas fizeram cancelar vários voos.

Os Mossos d’Esquadra, num trabalho conjunto com a Polícia Nacional, já fizeram cargas policiais sobre os manifestantes, na zona dos autocarros no aeroporto de Barcelona.

O protesto convocado para o Aeroporto de El Prat já obrigou a companhia aérea Vuelling a cancelar 100 voos. De acordo com o La Vanguardia, a companhia anunciou já o cancelamento de duas dezenas de voos de terça-feira.

Os protestos vão além deste aeroporto. São várias ruas, estradas e comboios cortados na Catalunha, numa altura em que os protestos podem chegar à capital espanhola.

O Tsunami Democràtic, que convocou os protestos, anunciou uma mobilização em massa para o aeroporto de Barajas, em Madrid, onde estão a chegar, diz, cerca de 1200 carros.

O sistema de emergência médica fala em pelo menos 37 assistências, principalmente no aeroporto El Prat, até às 19:00 espanholas, menos uma em Lisboa.

Em Girona, por exemplo, cerca de trezentas pessoas cortaram as estradas e levaram à suspensão da circulação do comboio.

Nas redes sociais, vários grupos e indivíduos independentistas convocaram os catalães para saírem à rua em protesto. A adesão foi expressiva e milhares de pessoas estão esta segunda-feira a condicionar o normal funcionamento dos serviços na Catalunha.

Mossos d'Esquadra pedem apoio à polícia nacional

Elementos da polícia nacional espanhola juntaram-se a efetivos locais para protegerem o aeroporto El Prat, em Barcelona, onde dezenas de voos já foram cancelados.

À medida que a contestação à decisão judicial ganha maior dimensão, em diversas cidades catalãs, impedindo acessos a transportes públicos e bloqueando estradas, as autoridades policiais catalãs começaram a pedir ajuda a diversas unidades de polícia nacional, como a polícia de choque e a unidade de intervenção policial, para proteger infraestruturas vitais, como o principal aeroporto de Barcelona.

A companhia aérea Vueling anunciou o cancelamento de 15 voos com saída do El Prat, devido aos protestos de grupos independentistas, que desde a manhã estão a conseguir fazer colapsar os acessos ao aeroporto.

O objetivo de bloqueio do El Prat foi definido desde muito cedo pelo grupo Tsunami Democrático, com a ajuda de centenas de estudantes que há várias horas se deslocam desde a Praça da Catalunha para o aeroporto, tornado o acesso caótico.

Os Mossos d’Esquadra já tiveram que intervir com uma carga leve junto de um grupo de manifestantes, que procurava obstruir o acesso à estação de metropolitano do aeroporto, e pediram ajuda a várias unidades policiais para os auxiliar.

Situação idêntica ocorreu com os serviços ferroviários de Girona, onde um grupo de manifestantes cortou a linha de comboio tradicional e de comboio de alta velocidade, pintando mensagens de apoio à causa independentista em várias carruagens.

Os protestos estavam a ser preparados desde domingo, com instruções criptografadas na aplicação de Internet Telegram, distribuídas a mais de 150 mil pessoas com um objetivo bem definido: “Amanhã, vamos estar todos prontos! A resposta à sentença será imediata!”.

A organização Tsunami Democrático tem estado ativa há mais de 24 horas, a mobilizar grupos de protesto, que se espalham pelas ruas e praças de várias cidades catalãs, promovendo bloqueios a transportes públicos, marchas lentas em estradas e até manifestações silenciosas em frente a edifícios públicos.

A maior preocupação das autoridades centra-se nos serviços de transportes: rodovias, ferrovias e aeroportos parecem ser pontos privilegiados de protesto.

O Serviço Catalão de Trânsito (SCT) informou que a principal via de acesso ao El Prat, a C-31, está cortada por uma manifestação de independentistas que não parou de crescer nas últimas horas.

Mas também em algumas das mais movimentadas estações de caminhos de ferro da Renfe, como Passeig de Gràcia e Sants, há aglomerações de manifestantes que estão a causar a prolongadas interrupções de acesso.

Governo espera que a situação se acalme

O Governo espanhol espera que a situação na Catalunha se “tranquilize”.

Espero que a situação se tranquilize nos próximos dias”, disse, em declarações à agência Lusa em Madrid, a ministra do Trabalho, Migrações e Segurança Social, Magdalena Valério.

A Catalunha faz parte de Espanha, que é um país com um Estado de direito onde as sentenças devem ser acatadas”, afirmou Magdalena Valério.

João Ferreira Pelarigo / com Lusa - notícia atualizada às 19:07