Na Catalunha, o grupo Tsunami Democrático, que convocou os protestos desta segunda-feira na região espanhola, considerou os objetivos atingidos ao início da noite. Ao longo do dia, milhares de pessoas manifestaram-se por todo o país, e até fora dele, contra as sentenças dos antigos líderes independentistas catalães.

Em Barcelona, o aeroporto de El Prat foi invadido por milhares de pessoas em protesto e várias ruas e estradas foram ocupadas com o objetivo de impedir a circulação.

O grupo que organizou a manifestação publicou, nas redes sociais, cerca das 22 horas locais, uma nota a dar conta de que os protestos no aeroporto cumpriram os objetivos e de que dão a ação desta segunda-feira como “finalizada”. 

Amanhã voltamos a fazer e anunciaremos um novo desafio”, sublinhou o grupo Tsunami Democrático, que assegura ainda ter-se iniciado “um ciclo de desobediência civil não violenta”.

Ainda assim, de acordo com a imprensa internacional, depois da desconvocação do bloqueio do aeroporto, mantiveram-se no local vários manifestantes. Entretanto, começaram a desmobilizar aos poucos, pouco depois de a polícia nacional espanhola e as autoridades catalãs (Mossos d'Esquadra) terem carregado sobre os manifestantes no estacionamento do principal terminal do aeroporto.

Naquele aeroporto, foram cancelados centenas de voos, com o aviso de que esta terça-feira a situação ainda não estará normalizada. O grupo Tsunami Democrático também avisou esta segunda-feira que cerca de 1200 carros estariam a caminho de Madrid para invadir o aeroporto da capital.

A polícia formou, já durante a noite, uma barreira com carrinhas em frente à sede, em Barcelona, e formou um cordão de segurança para impedir o avanço dos manifestantes, que ocuparam não apenas as principais artérias e praças de Barcelona, mas de vários pontos da Catalunha.

A manifestação, a que se foram juntando cada vez mais pessoas, levou ao bloqueio de vários serviços, nomeadamente dos transportes públicos na Catalunha.

Vários elementos da polícia nacional espanhola tiveram de juntar-se a efetivos locais, os Mossos d’Esquadra, para protegerem o aeroporto El Prat, onde o caos se instalou durante a tarde.

A polícia regional chegou mesmo a fazer cargas policiais sobre os manifestantes.

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Ainda na sequência dos protestos contra as sentenças aplicadas a antigos membros da administração autónoma, o Serviço de Emergências Médicas avançou ter atendido, ao longo do dia, um total de 78 pessoas, três durante os protestos da manhã e 75 no terminal 1 do El Prat, das quais 38 ainda estavam, cerca das 23:30, em observação.

Nas redes sociais, vários grupos e indivíduos independentistas convocaram os catalães para saírem à rua em protesto, uma ação que estava a ser preparada desde domingo, com instruções criptografadas na aplicação Telegram, distribuídas a mais de 150 mil pessoas com um objetivo bem definido: “Amanhã, vamos estar todos prontos! A resposta à sentença será imediata!”.

A organização esteve ativa todo o dia, a mobilizar grupos de protesto, que se espalharam pelas ruas e praças de várias cidades catalãs.

Mas Espanha não foi a única afetada pelos protestos dos independentistas. Em Bruxelas, pelo menos um grupo de pessoas manifestou-se e, em Londres, chegou mesmo a ser fechada a rua onde se encontra a embaixada de Espanha, de acordo com o La Vanguardia.

João Ferreira Pelarigo / Atualizada às 00:30