Um total de 89 manifestantes e 207 polícias ficaram hoje feridos durante os confrontos na Catalunha, a maioria em Barcelona, contra a sentença dada na segunda-feira aos principais dirigentes independentistas da Catalunha, que coincidira com uma greve geral convocada na região.

Só na capital catalã ficaram feridos 60 manifestantes, segundo o Serviço de Emergência Médica (SEM).

O ministro do Interior em funções, Fernando Grande-Marlaska, anunciou que entre as forças de segurança há um ferido grave. O governante explicou que este polícia foi atingido na cabeça com um objeto arremessado pelos manifestantes, durante os confrontos que ocorreram em Via Laietana, perto da sede da Polícia Nacional.

Segundo o ministro, cerca de 400 independentistas violentos estão a protagonizar os incidentes "de maneira organizada contra a Polícia Nacional e numa área específica".

"A esse vandalismo, comportamentos intoleráveis, a Polícia Nacional e os Mossos d'Esquadra (polícia regional catalã) estão a responder para evitar grandes incidentes", afirmou, acrescentando que já ocorreram várias prisões e que mais vão ocorrer durante a noite.

Entre os 22 detidos até ao momento, dois pertencem a um grupo de extrema-direita e quatro são menores.

Fernando Grande-Marlaska lamentou, ainda, os quase 800 contentores de lixo que foram queimados e os danos em 107 veículos da Polícia Nacional e dos Mossos d'Esquadra.

A cidade de Barcelona tornou-se, desde a noite de segunda-feira, cenário de confrontos entre polícias e manifestantes, que construíram barricadas, queimaram mobiliário urbano e pneus, fizeram fogueiras e atiraram pedras e petardos contra as autoridades.

Nesta última noite os confrontos entre os separatistas e a polícia aumentaram de violência, com barricadas e fogos ateados pelos radicais, ao que a polícia respondeu com balas de borracha, gás lacrimogéneo e canhões de água.

Nos últimos dias, grupos de jovens independentistas têm enfrentado a polícia de forma violenta nas ruas do centro da cidade, provocando estragos em montras, esplanadas, contentores e automóveis.

Manifestação começou pacífica

Logo após o fim da grande manifestação independentista em Barcelona, grupos radicais começaram a provocar as forças de ordem, que, desde então, já realizaram várias cargas. Na sua maioria jovens de cara tapada, começaram a lançar pedras e garrafas de água cheias na direção da polícia.

Os confrontos entre grupos radicais independentistas e a polícia começaram antes do início da noite, mais cedo do que nos dias anteriores.

Nos últimos dias, grupos de jovens independentistas têm enfrentado a polícia de forma violenta nas ruas do centro da cidade, provocando estragos em montras, esplanadas, contentores e automóveis.

Os movimentos de protesto começaram na segunda-feira, depois ser conhecida a sentença contra os principais políticos catalães responsáveis pela tentativa de independência em outubro de 2017.

Dezenas de milhares de pessoas vindas de toda a Catalunha participaram no centro de Barcelona numa grande manifestação convocada pelos sindicatos independentistas contra a condenação dos políticos envolvidos na tentativa separatista de 2017.

A concentração teve lugar no Passeio de Grácia, no centro de Barcelona, num dia de “greve geral” na Catalunha convocada por esses sindicatos e conta com milhares de pessoas vindas a pé em seis “Marchas pela Liberdade” saídas na terça-feira de diferentes cidades da comunidade autónoma.

Inicialmente, foram anunciadas cinco “marchas”, mas uma sexta formou-se quinta-feira à noite, organizada pelos CDR (Comités de Defesa da República).

Os independentistas consideram que os condenados pelo Tribunal Supremo são “presos políticos”, enquanto os defensores da unidade de Espanha afirmam que se trata de “políticos presos”.

Os juízes decidiram condenar nove deles a penas até 13 anos de prisão por delitos de sedição e peculato.

Depois do anúncio da sentença, os independentistas têm feito cortes de estradas e de vias de caminho-de-ferro um pouco por toda a Catalunha.

A AENA, entidade responsável pela gestão dos aeroportos espanhóis, garante que a situação do aeroporto de Barcelona encontra-se, pelo menos para já, a funcionar normalmente, mas a verdade é que as companhias aéreas já cancelaram 55 voos dos 1000 previstos e que existem centenas de passageiros a ser prejudicados. No que toca às linhas ferroviárias, os sevriços mínimos também estão a ser asegurados e cumpridos. O mesmo se aplica no caso do metro e dos autocarros.

O templo da Sagrada Família, em Barcelona, também foi obrigado a cancelar todas as visitas previstas para esta sexta-feira. Numa publicação na rede social Twitter, explicam que existe um grupo de manifestantes barricado junto à entrada para a basílica e que só vão abrir portas quando conseguirem garantir a segurança e a qualidade da visita.