Numa altura em que ainda prosseguem buscas pelos desaparecidos na tragédia de Brumadinho, há duas semanas, após a rotura da barragem que fez mais de 150 mortos, o risco de rompimento de mais barragens da empresa mineira Vale fez soar o alarme em Minas Gerais, na madrugada desta sexta-feira.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) do Brasil determinou a retirada de 500 pessoas em Barão de Cocais, a 146 quilómetros de Brumadinho, depois de negada a Declaração de Condição de Estabilidade da Barragem Sul Superior.

Em comunicado, a Vale afirma que se trata apenas de uma medida de prevenção e que a empresa está a intensificar a monotorização das suas barragens. Diz também que uma nova avaliação da Sul Superior terá lugar no domingo, na presença de consultores internacionais.

Segundo o município de Barão de Cocais, a ANM subiu, entretanto, para o nível 2 (intermédio) o risco de rotura.

Em Itatiaiuçu, região metropolitana de Belo Horizonte, cerca de 50 famílias também foram retiradas das suas casas durante a madrugada, por decisão da Defesa Civil, devido ao risco de rotura de uma barragem da responsabilidade da empresa ArcelorMittal.

A barragem Sul Superior, que serve a mina Gongo Soco, tem um volume de 6 milhões de m3 de rejeitos, principalmente minério de ferro. Está entre as dez que a Vale pretende eliminar, devido à sua construção, pelo método de "alteamento a montante", considerado ultrapassado, e que está na origem da rotura das barragens da Mariana, em novembro de 2015, em que morreram 19 pessoas, e Brumadinho, a 25 de janeiro último, ambas da Vale.

Segundo o último balanço, datado de quinta-feira, o número de mortos em Brumadinho é de 157, havendo ainda 182 desaparecidos, entre moradores e funcionários da empresa Vale. 134 vítimas mortais já foram identificadas.

 

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