O primeiro-ministro libanês, Mustapha Adib, anunciou este sábado a sua demissão, apenas um mês depois de ter sido designado para o cargo. Esta decisão choca com a intenção do presidente francês, uma vez que Emmanuel Macron estava a mediar uma transição pacífica com o objetivo de encontrar uma solução duradoura para um país mergulhado numa crise económica e que, depois dos efeitos da covid-19, viu a capital Beirute ficar devastada na sequência da violenta explosão ocorrida no porto, que provocou a morte a mais de 180 pessoas.

A decisão do antigo embaixador libanês na Alemanha surge na sequência de várias tentativas falhadas de formar governo.

O Líbano está também mergulhado num impasse político entre membros do Hezbollah e do Amal, grupos xiitas que insistiram na permanência do atual ministro das Finanças.

A decisão de Mustapha Adib foi anunciada após uma reunião com o presidente Michel Aoun.

O Líbano vive atualmente a pior crise económica e financeira da sua história moderna. O país deixou de pagar a sua dívida em março, e a moeda local sofre de uma hiperinflação que levou ao aumento da pobreza e a uma elevada taxa de desemprego. Esta situação foi agravada pela explosão ocorrida no porto de Beirute.

O país precisa desesperadamente de ajuda financeira, mas a comunidade internacional, liderada por França, recusa-se a dar ajuda até que sejam feitas reformas políticas sérias.

António Guimarães