O governo do Paquistão levantou hoje à noite a restrição de movimentos que tinha imposto à ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, limitada à sua residência em Islamabad, anunciou o Ministério do Interior paquistanês.

«A restrição à residência foi levantada», declarou o secretário de Estado do ministério, Kamal Shah.

Centenas de policias impediram hoje Benazir Bhutto de sair da sua residência, em Islamabad, e dirigir-se a Rawalpindi, nos subúrbios da capital, onde deveria presidir a um encontro do seu partido e uma manifestação, o que violaria o estado de emergência imposto pelo presidente Pervez Musharraf.

O governo paquistanês justificou a medida de restrição de movimentos com «ameaças graves» e «precisas» feitas por islamitas, que ameaçavam a segurança de Bhutto e dos seus apoiantes, durante a manifestação prevista.

Segundo o vice-ministro da Informação, Tariq Azim, a «ordem temporária de residência fixa» imposta a Bhutto foi tomada para impedir a dirigente da oposição de se «expor a ameaças graves de atentado suicida».

Horas antes do anúncio do levantamento das restrições a Bhutto, os Estados Unidos tinham exortado as autoridades paquistanesas a restituir a liberdade de movimentos à ex-primeira-ministra.

«A antiga primeira-ministra Bhutto e outros membros do seu partido devem ser autorizados a circular livremente e todos os manifestantes [detidos] libertados», afirmou o porta-voz da Casa Branca para a Segurança Nacional, Gordon Johndroe.

Bhutto tentou, em vão, uma saída mediática da sua residência, afirmando, para os cerca de 200 polícias que cercavam a sua residência: «Eu sou vossa irmã, não estou armada, eu luto pela democracia».

«Meus irmãos de uniforme, deixem-me passar, eu não luto contra vocês mas sim pela democracia», apelou a ex-primeira-ministra através de um megafone.

Cerca de 3 mil pessoas, incluindo advogados, magistrados e responsáveis ou militantes de partidos políticos da oposição, foram presos ou colocados em prisão domiciliária no Paquistão, desde a declaração do estado de emergência sábado passado, segundo fontes policiais.

Cinco mil detidos

O Partido Popular Paquistanês (PPP) de Benazir Bhutto anunciou, por seu lado, que cerca de cinco mil dos seus apoiantes foram detidos nas últimas horas pelas forças de segurança.

Benazir Bhutto foi a primeira mulher eleita primeira-ministra no mundo muçulmano, governando o Paquistão por duas vezes, de 1988 a 1990 e de 1993 a 1996.

O pior atentado suicida da história do Paquistão aconteceu a 18 de Outubro, no regresso de Bhutto ao país, após o exílio, em que morreram 139 pessoas.
Portugal Diário