À medida que os bombardeamentos aéreos israelitas vão destruindo edifícios e aumentando o número de mortes em Gaza, crescem os conflitos internos em algumas cidades de Israel, onde cidadãos árabes e judeus vivem pacificamente há vários anos.

A tendência crescente destes confrontos está a instalar o medo de uma guerra civil iminente. Se por um lado os israelitas têm do seu lado o poderio militar, também não faltam armas à comunidade palestiniana.

Esta é, pelo menos, a análise do jornalista do diário espanhol El País, Elías Zaldivar, especialista em assuntos do Médio Oriente.

O governo transitório do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que desvalorizou os confrontos na Palestina, não terá previsto este cenário interno, com a tensão a aumentar a cada bombardeamento aéreo.

No seu artigo de opinião publicado, sexta-feira, no El País, Elías Zaldivar escreve que, segundo fontes da polícia israelita, há um vasto número de grupos criminosos árabes, fortemente armados, espalhados por várias cidades do país. Armas que já foram utilizadas em várias ocasiões, sobretudo para resolver ações judiciais ou vinganças entre clãs, temendo-se agora que as miras sejam apontadas ao próprio Estado israelita.

O clima de tensão ainda não se estendeu às maiores comunidades do país e, para já, os líderes dos quatro partidos políticos com representação parlamentar no Knesset (parlamento de Israel) condenam os atos de violência.

Na quarta-feira, os principais canais televisivos israelitas transmitiram um linchamento, em praça pública, de um palestiniano que foi retirado à força de um carro quando passava por uma multidão na cidade de Bar Yam. No sábado, todo o mundo viu o míssil israelita que caiu sobre o prédio onde estava instalada a agência de notícias Associated Press e o canal de televisão Al-Jazeera.

A Cisjordânia tem sido um dos principais palcos dos confrontos e permanece sob alerta, uma vez que alberga cerca de 100 mil palestinianos que trabalham em Israel.

Netanyahu já tentou introduzir militares nas principais cidades mistas como Jerusalém, onde vivem cerca de 300 mil palestinianos, Haifa, Aco, Lod e Yafo.

Os motins têm tido como agentes principais grupos de jovens árabes, sem um líder definido, que são descendentes dos elementos que lideraram os protestos de 1987 e 2000, na Cisjordânia e Gaza contra Israel, que ficaram conhecidos como as “Intifadas” (ou Guerra das Pedras). Manifestações que acabaram por ser reprimidas, mas com um elevado número de mortes e milhares de feridos, sem acalmar a vontade palestiniana de independência.

Do outro lado, os únicos intervencionistas são, sobretudo, jovens israelitas que lutam não apenas contra os palestinianos, mas também contra as forças de segurança. Têm por hábito atacar alvos palestinianos, entre os povos e aldeias rurais da Cisjordânia, conseguindo quase sempre escapar às autoridades e ao crivo judicial. 

Benjamin Netanyahu manteve, até hoje, a crise na Palestina fora da discussão política nas últimas quatro eleições israelitas.

Redação / NM