O Ministério Público israelita acusou, esta quinta-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de fraude, suborno e abuso de confiança, em três casos de corrupção. A informação é avançada pelo Ministério da Justiça israelita, através de comunidado. 

A acusação surge numa altura em que Israel se preparar para um novo processo eleitoral, quando o país está num impasse político e não tem Governo formado desde as eleições de Setembro. 

Netanyahu negou sempre o seu envolvimento nos três casos, alegando que as investigações fazem parte de uma vingança política e de uma "caça às bruxas", que inclui a esquerda, os media e a polícia. "Não haverá nada porque não houve nada", disse Netanyahu no início do ano.

O presidente israelita, Reuven Rivlin, encarregou hoje o parlamento de encontrar um primeiro-ministro para resolver um impasse político único na história de Israel e evitar as terceiras legislativas no país em menos de um ano. Pela "primeira vez na história de Israel", segundo o presidente, nenhum candidato conseguiu formar um governo após as legislativas de 17 de setembro. Nem Benjamin Netanyahu, nem Benny Gantz obtiveram a maioria necessária para constituir um executivo.

De acordo com a lei fundamental de Israel, o equivalente à Constituição, Rivlin confiou esta quinta-feira a tarefa de encontrar alguém apto para dirigir um novo governo a Yuli-Yoel Edelstein, presidente do parlamento (Knesset).

Edelstein não recebe o mandato a título pessoal, mas em nome do parlamento, que terá agora 21 dias, até 11 de dezembro, para apresentar a Rivlin um documento assinado por pelo menos 61 deputados (são 120 no Knesset) comprometendo-se a apoiar um eleito para o cargo de primeiro-ministro.

O Estado de Israel atravessa um período sombrio da sua história", declarou o presidente no parlamento, apelando aos deputados para agirem de modo "responsável" para evitar as terceiras eleições no período de um ano.

O presidente Rivlin mandatou inicialmente Benjamin Netanyahu, no poder desde 2009, para formar um executivo, mas o primeiro-ministro cessante, à frente de um bloco de direita e religioso com 54 deputados, não conseguiu juntar eleitos suficientes para os 61 votos necessários a uma maioria parlamentar. Rivlin atribuiu então a tarefa a Benny Gantz, cuja coligação Azul e Branco foi a formação mais votada, mas que juntava um menor número de apoiantes.

Netanyahu e Gantz podem voltar a ser encarregues de formar um governo pelos deputados, o que abre caminho para novas negociações, mas acusações dirigidas ao primeiro-ministro em funções tornam duvidoso que a responsabilidade de formar um novo executivo lhe venham, novamente, a ser confiadas.

Netanyahu privilegiou os seus interesses pessoais (...) e deve lembrar-se que estamos ainda em democracia e que a maioria do povo votou por uma política diferente da sua", disse Gantz na quarta-feira após ter falhado a tentativa de formar um executivo. Netanyahu voltou esta quinta-feira a convidar Gantz para negociações diretas, apelando a um "último esforço para constituir um governo de união".

Mas os dois homens não se entendem sobre quem deve ser primeiro o chefe do governo, num esquema de rotação, indica a agência France Presse.