Bill Gates estuda há anos as pandemias, está presentemente envolvido no combate à Covid-19 e, por isso, é com preocupação que assiste à tentativa de parte dos Estados Unidos em regressar à normalidade, quando o país está longe de ter o surto da doença controlado.

O fundador da Microsoft diz que é preciso encontrar um equilíbrio entre a necessidade de não deixar afundar, ainda mais, a economia, com a contenção da doença. E para isso, defende, é preciso realizar testes em massa ao novo coronavírus, em linha, aliás, com a posição da Organização Mundial da Saúde.

Estados como Géorgia, Colorado, Minnesota e Montana anunciaram já que esta semana pretendem aliviar as medidas de distanciamento social, como terminar a quarentena imposta.

Na Califórnia, por exemplo, assistiu-se no fim de semana a uma enchente nas praias, mesmo havendo ordem para permacer em casa.

Através da sua fundação, Bill Gates já doou mais de 100 milhões de dólares para a descoberta de uma vacina, mas, enquanto esta não surge, avisa os norte-americanos que o país pode enfrentar uma segunda onda de Covid-19 ainda mais grave que a primeira, que está em curso e já fez perto de um milhão de infetados e 55 mil mortos.

Se [os outros Estados] cancelarem as medidas restritivas poderão voltar ao crescimento exponencial da Covid-19 e competir com Nova Iorque [que é o Estado mais afetado, epicentro do surto no país]", afirmou, em entrevista à CNN.

Bill Gates avisa que não é por alguns terem experienciado apenas "pequenos surtos" depois de retomarem a normalidade que isso signifique que já não estão em risco ou que o pior já passou.

Aquilo que não sabemos é, caso retomemos a normalidade, que atividades vão gerar o risco de uma recaída. Precisamos de colocar em prática um regime intenso de realização de testes para que possamos detetar o crescimento exponencial de casos e não esperarmos que os cuidados intensivos se encham de doentes e, consequentemente, muitas mortes."

Os Estados Unidos vão poder, em breve, realizar 400.000 a 500.000 testes por dia, meta que Bill Gates considerou, contudo, ser "apenas suficiente" para que o rastreio possa ser feito.

O problema para o filantropo norte-americano é que os testes não apagam os erros, como por exemplo o facto de os resultados estarem a demorar mais de 24 horas a chegar ao conhecimento das pessoas.

Bill Gates diz também que, nos Estados Unidos, não estão a conseguir priorizar que partes da economia devem retomar primeiro, considerando que o país está a ser "um pouco ingénuo".

As atividades prioritárias ou de "alto valor" para a economia são, no seu entender, as escolas, a indústria e a construção, sendo que há Estados que querem permitir, desde já, a abertura de cabeleireiros, ginásios ou espaços de diversão.


 

Catarina Machado