Os Estados Unidos pediram, na quarta-feira, ao Kremlin que coopere nos esforços para responsabilizar os cidadãos russos que serão julgados por homicídio, acusados de terem provocado a queda do Boeing MH17 da Malaysia Airlines.

Em comunicado, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, saudou o anúncio da acusação a quatro pessoas "pelo seu papel na queda do voo MH17 da Malaysian Airlines em 17 de julho de 2014" e relembrou o pedido do Conselho de Segurança da Nações Unidas para que os Estados cooperem nos esforços para responsabilizar os responsáveis.

Pedimos à Rússia para respeitar e aderir à Resolução 2166 (2014) do Conselho de Segurança das Nações Unidas e garantir que todas as pessoas acusadas atualmente na Rússia enfrentem a justiça", disse o responsável da diplomacia norte-americana.

Numa conferência de imprensa, na quarta-feira, na cidade holandesa de Nieuwegein, os responsáveis holandeses pela comissão internacional de investigação anunciaram que os mandados de captura internacionais serão emitidos para os russos Sergey Dubinsky, Oleg Pulatov e Igor Girkin, e para o ucraniano Leonid Chartsjenko.

O julgamento deverá iniciar-se na Holanda em 9 de março de 2020.

Os réus serão julgados pela autoria do ataque com um míssil que, em 17 de julho de 2014, matou os 283 passageiros (196 deles de naturalidade holandesa) e 15 tripulantes do voo MH17 da Malasyia Airlines, na zona de conflito armado no leste da Ucrânia, a zona separatista da antiga República soviética, quando viajava entre Amesterdão e Kuala Lumpur.

Pompeo afirmou ainda que os EUA apoiam "totalmente" o trabalho das autoridades holandesas e da comissão internacional de investigação, que consiste numa centena de especialistas dos cinco países afetados (Holanda, Austrália, Ucrânia, Malásia e Bélgica).

Este é um marco importante na busca pela verdade, e continuamos a confiar no profissionalismo e na capacidade do sistema de justiça criminal holandês para processar os responsáveis de uma maneira imparcial e justa", acrescentou Pompeo.

A Rússia tem negado qualquer envolvimento no ataque, culpando Kiev pela queda do avião, afirmando que o míssil encontrado nos escombros do acidente pertence aos arsenais do exército ucraniano.

O Governo russo já veio lamentar has conclusões apresentadas por parte da comissão internacional de investigação, dizendo que procuram desacreditar a Rússia.

“As declarações feitas (pela comissão) sobre o suposto envolvimento de militares russos na queda do Boeing MH17 da Malaysia Airlines são lamentáveis”, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov.

“Mais uma vez, acusações completamente infundadas são feitas contra a Rússia, procurando desacreditar a Rússia aos olhos da comunidade internacional”, disse Lavrov.