O exército israelita anunciou ter voltado a bombardear hoje a Faixa de Gaza, em resposta a novos ataques do Hamas, apesar dos esforços do Catar para acalmar a tensão na fronteira, que dura há mais de três semanas.

Segundo o exército israelita, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP), ao início da manhã aviões de combate e tanques israelitas atingiram as posições do Hamas em retaliação pelo lançamento de balões incendiários em direção a Israel, que se têm multiplicado desde o início deste mês.

O movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, reivindicou a responsabilidade pelos ataques com balões, afirmando em comunicado que eram uma "resposta direta à escalada da ocupação israelita".

Em 21 de agosto, a força aérea israelita já tinha bombardeado Gaza, visando "alvos militares do Hamas", incluindo locais de "fabrico de armas".

Testemunhas na Faixa de Gaza relataram à AFP ataques israelitas perto da cidade de Gaza (norte) e no centro do enclave, onde vivem dois milhões de pessoas, metade abaixo do limiar de pobreza.

Em resposta aos balões incendiários, que provocaram mais de 400 incêndios em Israel, de acordo com os bombeiros israelitas, o Estado hebraico também endureceu o bloqueio a Gaza.

Na semana passada, o Estado hebraico fechou a única passagem de mercadorias de Gaza para o território israelita, fazendo com que a única central elétrica do território encerrasse por falta de combustível e limitando os dois milhões de habitantes do território a cerca de quatro horas de eletricidade por dia.

O aumento da tensão, que começou no início deste mês com o lançamento de balões a partir de Gaza, como medida de pressão para que Israel alivie as condições do bloqueio, ainda não causou feridos graves ou mortes, mas provocou danos em infraestruturas, incluindo residências familiares em ambos os lados da fronteira.

Os novos ataques surgem após a passagem por Gaza esta semana do enviado do Catar ao território palestiniano, Mohammed El-Emadi, que se encontrou com líderes do Hamas e responsáveis israelitas em Tel Aviv, de acordo com fontes próximas, citadas pela AFP.

Israel e o Hamas travaram três guerras (2008, 2012, 2014) e várias confrontos menores nos últimos 13 anos, tendo chegado a um acordo de tréguas no ano passado, concluído através da ONU, Egito e Catar.

O acordo prevê uma ajuda financeira mensal do Catar a Gaza, mas também uma série de medidas económicas - incluindo a extensão de uma zona industrial local e a concessão de autorizações de trabalho em Israel para os habitantes de Gaza -, a fim de reduzir a pobreza e estabilizar o território.

/ AM