Estala de novo o verniz entre França e Reino Unido sobre a questão das pescas, após uma reunião entre o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson.

Fonte da presidência francesa, citada pela Euronews, garantiu que ambos os países concordaram em “aplicar medidas práticas e operacionais o mais depressa possível, de modo a evitar um aumento das tensões”.

Contudo, fonte do governo britânico negou este desenvolvimento, e assegurou que depende de França “reduzir as ameaças que tem feito nos últimos dias sobre a violação dos acordos do Brexit” e que qualquer mudança de comportamento do lado francês será “bem-recebida”.

O que está em causa nesta disputa?

França e Reino Unido alimentam este conflito desde as negociações do Brexit. Antes da saída dos britânicos da União Europeia, ambos eram signatários da Política Comum das Pescas do bloco europeu, o que permitia a todas as frotas de barcos dos estados-membros pescar livremente em águas da União Europeia.

Com a saída do Reino Unido, ficou estipulado em acordo bilateral que o acesso das frotas europeias a águas britânicas, e vice-versa, seja gerido por um sistema de concessão de licenças. É aqui que surge o diferendo.

França acusa as autoridades britânicas de não atribuírem metade das licenças a que tem direito. O secretário de estado do ambiente britânico, George Eustice, refutou as acusações, garantindo que país concedeu licenças a “98% dos barcos que se candidataram”.

Em resposta, a ministra do mar francesa, Annick Girardin, disse que o número avançado por Eustice está errado. “Concederam apenas 90,3% das licenças. Os quase 10% que faltam correspondem aos pedidos franceses”, acusou a governante, num post na rede social Twitter.

Este novo capítulo do conflito entre os dois países marca não só o fim da reunião do G20, que decorreu em Roma, como o início da COP26, a cimeira do clima das Nações Unidas, que arrancou este domingo em Glasgow.

Pedro Falardo