O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pediu hoje uma “investigação completa e transparente” ao envenenamento do opositor russo Alexei Navalny, juntando-se aos apelos da União Europeia (UE), Estados Unidos, Alemanha e França.

“O envenenamento de Alexei @navalny chocou o mundo. O Reino Unido está solidário com ele e com a sua família. É precisa uma investigação completa e transparente ao que aconteceu. Os perpetradores devem ser responsabilizados e o Reino Unido vai juntar-se aos esforços internacionais para garantir que é feita justiça”, escreveu Boris Johnson no Twitter.

Principal opositor do presidente russo Vladimir Putin, conhecido pelas investigações anticorrupção a membros da elite russa, Alexei Navalny, 44 anos, está internado desde 20 de agosto em coma, primeiro num hospital de Omsk, na Sibéria, e desde sábado num hospital de Berlim.

O político sentiu-se mal durante um voo e a família e colaboradores suspeitam que foi vítima de envenenamento intencional, o que foi em parte validado pelos médicos alemães que o estão a tratar quando, na segunda-feira, afirmaram ter detetado "indícios de envenenamento" nos exames que lhe foram realizados.

A presidência da Rússia considerou essas conclusões “prematuras”, apontando que os médicos russos que trataram Navalny em Omsk não detetaram qualquer substância tóxica nos exames que fizeram ao opositor.

“Uma investigação tem de ter um motivo. Para isso seria preciso identificar uma substância”, disse na terça-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Secretário-geral da NATO reclama “investigação transparente”

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, defendeu hoje a realização de uma "investigação transparente” ao suposto envenenamento do político opositor russo Alexei Navalny, de modo a descobrir “o que se passou” e garantir que os responsáveis serão punidos.

Em declarações à chegada a uma reunião informal de ministros da Defesa da União Europeia (UE), em Berlim, o secretário-geral da Aliança Atlântica disse não haver “razões para duvidar” das conclusões dos médicos alemães que estão atualmente a tratar de Navalny, e que apontam para indícios de envenenamento.

“O que precisamos agora é de uma investigação transparente, para descobrir o que se passou e para garantir que os responsáveis prestam contas”, afirmou.

Manifestando-se “obviamente preocupado” com o estado de saúde do opositor russo, Stoltenberg disse que a NATO “saúda os esforços da Alemanha para o ajudar”, providenciando-lhe atualmente cuidados médicos em Berlim.

Kremlin confia que caso não prejudicará relações com Ocidente

O Kremlin disse hoje acreditar que a situação do opositor russo Alexei Navalny, presumivelmente envenenado e em coma num hospital alemão, não afetará as relações da Rússia com o Ocidente, que exige uma investigação criminal.

“Claro que não queremos algo assim. Além disso, porque não há razão para tal”, afirmou à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, insistindo em que não há provas de que o opositor tenha sido envenenado.

Segundo Peskov, o Kremlin está interessado sobretudo em determinar o que causou o coma de Navalny - organizador dos maiores protestos contra o governo russo desde a queda da URSS em 1991 -, a quem evita designar pelo nome, referindo-se ao opositor como “o paciente”.

“Trata-se de um cidadão russo que está em coma e gostaríamos de saber quais foram as causas. Queremos compreender e definir o que aconteceu com o paciente, mas ainda não conseguimos”, indicou.

O porta-voz assinalou que as “múltiplas análises” feitas pelos médicos do hospital siberiano onde foi internado inicialmente “não ajudaram a estabelecer a presença no organismo da substância responsável pelo seu estado”.

“Não sabemos se neste momento os médicos alemães determinaram qual é a substância. As avaliações, quer dos nossos médicos quer dos alemães, são iguais”, adiantou Peskov.

Entretanto a Duma, a câmara baixa do parlamento russo, anunciou que abrirá uma investigação sobre o possível envolvimento no caso Navalny de potências estrangeiras, que tentariam desacreditar o Kremlin.

Alexei Navalny “está numa unidade de cuidados intensivos e ainda está em coma induzido”, sendo o seu estado de saúde considerado grave, embora a sua vida não esteja, de momento, em risco, segundo o hospital universitário Charité, em Berlim.

/ AM