O parlamento do Reino Unido vai ser suspenso ainda esta segunda-feira, anunciou o gabinete do primeiro-ministro, Boris Johnson. A suspensão vigora até 14 de outubro. Recorde-se que Boris Johnson começou por perder a maioria na Câmara dos Comuns, o que precipitou a aprovação de uma lei que dita o adiamento do Brexit de 31 de outubro para 31 de janeiro.

Depois de aprovado esse projeto, o líder dos conservadores propôs a realização de novas eleições, numa moção que foi fortemente rejeitada, mas que deve voltar esta segunda-feira ao parlamento.

O porta-voz do governo afirma que a intenção continua a ser uma saída sem acordo, no chamado hard Brexit, que estava previsto ocorrer a 31 de outubro, num comunicado onde se voltou a falar em eleições antecipadas para que as pessoas possam decidir qual o melhor caminho a seguir.

Se os deputados quiserem resolver isto, existe uma maneira fácil, aprovem novas eleições esta segunda-feira e deixem o público escolher", acrescentou a nota.

O Partido Trabalhista reafirmou, esta segunda-feira, que uma saída sem acordo "seria um desastre" para o Reino Unido, acrescentando que só aceitará a marcação de eleições quando estiver definido um acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia.

A suspensão do parlamento britânico foi ditada pelo próprio primeiro-ministro e aprovada pela rainha a 28 de agosto, e teria de acontecer até à próxima sexta-feira, dia 13 de setembro

Além de nova discussão para marcação de eleições antecipadas, a agenda parlamentar desta segunda-feira contempla um debate sobre legislação para a Irlanda do Norte.

A suspensão até 14 de outubro causou uma onda de indignação no Reino Unido quando foi anunciada no final de agosto, levando a oposição a qualificar a decisão como um "escândalo e uma ameaça à democracia" e uma manobra para forçar um 'Brexit' sem acordo a 31 de outubro.

O governo britânico obteve autorização da rainha Isabel II com o objetivo de "apresentar uma nova agenda legislativa nacional ousada e ambiciosa para a renovação do país após o ‘Brexit’" a 14 de outubro, invocou o primeiro-ministro, Boris Johnson.

Duas ações judiciais para bloquear a suspensão foram rejeitadas nas últimas semanas em tribunais de Edimburgo e Londres, sendo esperado que os recursos sejam analisados a 17 de setembro pelo Supremo Tribunal, a última instância judicial britânica.

Um terceiro caso está em curso num tribunal de Belfast, tendo uma audiência sido agendada para 16 de setembro.