As forças aliadas tentaram durante 17 dias consecutivos retirar o máximo de gente possível do Afeganistão. Assim que os talibãs assumiram o controlo de Cabul, Estados Unidos e União Europeia encetaram esforços para salvar milhares de pessoas que fugiam em direção ao aeroporto.

Mas agora, muitos dos refugiados que chegam à Europa enfrentam um outro problema. De acordo com o jornal The Guardian, a polícia da Croácia está a roubar e a devolver dezenas de afegãos que chegam da fronteira com a Bósnia.

A conclusão surge depois de vários testemunhos e de um relatório do Conselho Dinamarquês de Refugiados, que documentou cerca de 60 rejeições ilegais à entrada de afegãos na Croácia, e que ocorreram entre 16 e 29 de agosto.

Recorde-se que a Croácia é um dos 27 estados-membros da União Europeia, comunidade que tem estado a ajudar na retirada de afegãos.

Qualquer rejeição de refugiados e o impedimento de que eles possam candidatar-se a um pedido de asilo consiste numa violação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, das convenções de Genebra e da legislação da União Europeia.

Segundo as vítimas ouvidas pelo The Guardian, as atitudes da polícia croata incluem comportamentos violentos, tratamento degradante, roubos e destruição de bens pessoais, sendo que metade das pessoas rejeitadas eram menores.

Fomos rejeitados 12 vezes na fronteira croata. Roubaram-nos dinheiro e telemóveis", afirmou Zihaul al-Hagg, de 25 anos, chegado do norte do Afeganistão.

A nacionalidade afegã é a segunda mais proeminente na rota migratória que atravessa a zona dos Balcãs, que leva os refugiados a passar por Bulgária, Macedónia do Norte, Sérvia e Bósnia, antes de chegarem à Croácia e à Eslovénia, de onde finalmente costumam encaminhar-se para Itália ou Áustria, muitos seguindo para Alemanha e França.

Nesta altura, são centenas as famílias que aguardam para poder entrar na União Europeia nas cidades bósnias de Bihac e Bosanska Bojna.

Mas as acusações à polícia croata não são novas, e durante muitos anos foram relatados abusos das autoridades, sendo que, em muitos dos casos, a Comissão Europeia pediu explicações à Croácia, que, através da polícia e do governo, rejeitou a prática destes comportamentos.

Isso mesmo é ilustrado na imagem abaixo, datada de 23 de outubro, e que mostra as marcas da violência pessoal sobre um refugiado na fronteira.

António Guimarães