Mais de 12 mil crianças terão sido vítimas de abuso sexual quando fizeram parte dos escuteiros norte-americanos, os Boy Scouts of America, no original.

Quase 8.000 escuteiros são suspeitos de cometerem os abusos, números que constam de um relatório, conhecido como “os ficheiros da perversão”, apresentado em tribunal e divulgado ao público na terça-feira pelo advogado Jeff Anderson, especialista na defesa de vítimas de abuso sexual e que tem defendido casos de abuso sexual na Igreja e nos escuteiros.

Concretamente, foram identificados 7.819 suspeitos, entre líderes e voluntários dos escuteiros, do crime de abuso sexual de 12.254 crianças, desde 1944 e 2016. Os alegados agressores terão sido afastados da organização e as autoridades alertadas.

O relatório da psiquiatra e professora universitária Janet Warren, que trabalhou com os Boy Scouts of America nos últimos cinco anos, foi apresentado em tribunal em janeiro, que julgava um caso de abuso sexual de menor numa companhia de teatro infantil do Minnesota, mas passou quase despercebido até terça-feira.

Em conferência de imprensa, Jeff Anderson revelou, ainda, que 130 dos alegados abusadores encontram-se em Nova Iorque e podem ser alvo de repercussões legais.

Isto porque, no início do ano, o estado de Nova Iorque aprovou uma lei de proteção às vítimas menores – o Child Victims Act, no original -, que permite que as queixas de abuso sexual possam ser averiguadas, independentemente do ano em que foram cometidas, ao contrário do que acontecia até então.

Em comunicado, os escuteiros norte-americanos manifestaram solidariedade para com as vítimas, garantindo que fizeram sempre tudo para proteger as crianças.

Preocupamo-nos profundamente com todas as vítimas de abuso e pedimos sinceras desculpas a quem possa ter sofrido durante o seu tempo no Escutismo. Acreditamos nas vítimas, que apoiamos e a quem pagámos ajuda ilimitada em termos de aconselhamento. Nada é mais importante que a segurança e a proteção das nossas crianças e, por isso, revolta-nos que alguns indivíduos se tenham aproveitado dos nossos programas para abusar de crianças inocentes”, argumentaram os escuteiros, citados pela abc.

Apesar de as suspeitas não serem novas, uma vez que já em 2012 tinham sido identificados mais de 1.000 suspeitos de abuso sexual de crianças nos escuteiros, a análise de Janet Warren aos milhares de documentos mostra um número significativamente maior de agressores e vítimas.

O advogado Jeff Anderson pretende, agora, que os escuteiros tornem pública a lista de agressores.

Os escuteiros da América nunca divulgaram estes nomes publicamente. Nunca alertaram a comunidade de que este professor, este treinador, este líder dos escuteiros era um pedófilo”, defendeu.

Mais de 2,2 milhões de crianças e cerca de um milhão de voluntários são membros dos Boy Scouts, segundo a organização.