Depois de ter rejeitado a ajuda de 20 milhões de dólares para combater os fogos na Amazónia, Bolsonaro parece ter mudado de ideias sobre as ajudas do G7. O presidente brasileiro comunicou, em Brasília, que está disposto a aceitar o dinheiro, se Macron pedir desculpa.

Bolsonaro garantiu que o homólogo francês lhe chamou “mentiroso” e que deve “retirar os insultos” que proferiu na segunda-feira, durante a conferência do G7, para que a Amazónia possa ser reflorestada.

Primeiro ele retira, depois ele oferece, daí eu respondo”, informou, em entrevista a vários meios de comunicação brasileiros.

Para além disso, o presidente brasileiro afirmou que não gostou de ver a soberania do Brasil sobre a Amazónia questionada pelos sete países mais industrializados do mundo.

Primeiramente, o senhor Macron deve retirar os insultos que fez à minha pessoa. Primeiro, chamou-me mentiroso. E depois, informações que eu tive, de que a nossa soberania está em aberto na Amazónia. Para conversar ou aceitar qualquer coisa da França, que seja das melhores intenções possíveis, ele vai ter que retirar essas palavras e daí a gente pode conversar”.

Já sobre os comentários negativos que Jair Bolsonaro terá tecido sobre Brigitte Macron, no Facebook, o presidente brasileiro sublinhou que nunca ofendeu a primeira-dama francesa.

Eu falei isso? Eu falei? Jair Bolsonaro falou?”, perguntou.

O político frisou que apenas chamou a atenção do utilizador das redes sociais que criticou a aparência de Brigitte Macron para não entrar pela esfera pessoal do presidente francês e para que não dissesse “besteiras”.

No final da cimeira do G7, o executivo de Jair Bolsonaro rejeitou qualquer oferta que implique contrapartidas de Brasília e sugeriu que a verba seja utilizada para a reflorestação da Europa, sendo apenas bem-vindas ajudas de países sul-americanos e de aliados como Israel.

Emmanuel Macron manifestou na quinta-feira preocupação com os fogos florestais que estão a devastar a Amazónia, a maior floresta tropical do planeta, evocando uma "crise internacional" e pedindo aos países industrializados do G7 "para falarem desta emergência" na cimeira deste fim de semana em Biarritz (sudoeste de França).

O acordo de livre comércio entre a UE e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), integrado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, foi fechado em 28 de junho, depois de 20 anos de negociações.

O pacto abrange um universo de 740 milhões de consumidores, que representam um quarto da riqueza mundial.

A Irlanda ameaçou também votar contra o acordo comercial se o Brasil não tomar medidas para proteger a floresta amazónica.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo, cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Susana Laires