O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, classificou na segunda-feira de "inadequações curriculares" todas as suspeitas de falsos títulos académicos e de plágio contra o seu novo ministro da Educação, Carlos Decotelli, defendendo o seu "trabalho e honra".

Desde que anunciei o nome do Professor Decotelli para o Ministério da Educação só recebi mensagens de trabalho e honradez. Por inadequações curriculares o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o Ministério. O senhor Decotelli não pretende ser um problema para a sua pasta (Governo), bem como, está ciente do seu equívoco", escreveu Bolsonaro na rede social Facebook.

O chefe de Estado referiu ainda que "todos aqueles que conviveram" com Decotelli "comprovam a sua capacidade para construir uma Educação inclusiva e de oportunidades para todos".

 

A posição de Bolsonaro surge após terem vindo a público várias suspeitas em relação à formação académica do novo ministro da Educação, nomeado na passada quinta-feira, sucedendo no cargo a Abraham Weintraub.

Ao anunciar a nomeação, Jair Bolsonaro citou na rede social Twitter os principais títulos académicos de Decotelli, incluindo "um mestrado na Fundação Getulio Vargas, um doutoramento na Universidade de Rosário, da Argentina, e um pós-doutoramento na Universidade de Wuppertal, da Alemanha".

Contudo, esse currículo foi manchado com alegadas irregularidades: denúncia de plágio na dissertação de mestrado da Fundação Getúlio Vargas (FGV), falso título de doutoramento por uma universidade argentina e um pós-doutoramento na Alemanha, que não foi realizado.

Na sexta-feira, após Decotelli ser nomeado ministro, o reitor da Universidade Nacional de Rosario, na Argentina, afirmou que o novo governante brasileiro não obteve o título de doutor naquela instituição, contrariamente ao que constava no seu currículo.

O senhor Decotelli cursou o doutoramento em administração da Faculdade de Ciências Económicas e Estatísticas da Universidade Nacional de Rosário, mas não o concluiu. Não completou todos os requisitos que são exigidos pela nossa regulamentação, que exige a aprovação de uma tese final para obter o título de doutor. Portanto, não é doutor pela Universidade Nacional de Rosário", declarou o reitor Franco Bartolacci à rede Globo.

Posteriormente, surgiu a suspeita de plágio em partes da tese de mestrado entregue por Decotelli à Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro, situação que o governante negou, alegando "distrações".

Em comunicado, a FGV indicou que o orientador da dissertação foi procurado e que, caso seja confirmado um "procedimento inadequado", serão tomadas medidas administrativas e judiciais contra o novo ministro.

Além disso, a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, informou na segunda-feira que o novo ministro não possui nenhum título pela instituição, ao contrário do que constava no seu currículo, que mencionava um curso de pós-doutoramento.

Após a sua formação ter sido colocada em causa, a tomada de posse do ministro, que estava agendada para hoje, foi adiada, segundo a imprensa brasileira.

Contudo, e apesar das polémicas, minutos antes de Bolsonaro usar o Facebook para defender o novo titular da pasta da Educação, Decotelli informou à imprensa que permanece no cargo, acrescentando que o assunto está "resolvido".

Oficial da reserva da Marinha, Decotelli da Silva é o primeiro ministro negro do Governo de Bolsonaro e o mais recente militar a integrar o atual executivo do Brasil. É, também, o terceiro ministro da Educação do atual executivo, depois de Weintraub e de Ricardo Vélez.

/ BC