O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, poderá visitar Portugal entre o final deste ano e o princípio de 2020, anunciou esta quarta-feira o chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Em declarações aos jornalistas, no final de um encontro com o novo presidente do Brasil, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que ficou de ser acertada a nível dos ministérios dos Negócios Estrangeiros "entre o final de 2019, mas provavelmente princípio de 2020, uma eventual ida do presidente Bolsonaro a Portugal".

Questionado se neste encontro convidou Jair Bolsonaro para visitar Portugal, o chefe de Estado português começou por referir que "o calendário do presidente Bolsonaro é muito ocupado" e que "há um calendário muito ocupado em Portugal durante boa parte deste ano", em que haverá três atos eleitorais: europeias, legislativas e eleições na Madeira.

Por isso, adiantou, "ficaram os chanceleres - em terminologia portuguesa, ministros dos Negócios Estrangeiros - de ajustar entre o final de 2019, mas provavelmente princípio de 2020 uma eventual ida do presidente Bolsonaro a Portugal".

Interrogado se nesta reunião deu algum conselho ao novo Presidente do Brasil, respondeu: "Não. Um chefe de Estado nunca dá conselho a outro chefe de Estado. E cada um faz o seu percurso".

E não esqueçamos que no caso do Presidente Bolsonaro é Presidente do Brasil, que é uma potência, com uma presença no mundo, com uma dimensão populacional, económica, política e estratégica essencial", salientou.

Marcelo considera que reunião com Bolsonaro foi "muito boa" e um encontro "de irmãos" 

O chefe de Estado português, considerou ainda que a sua reunião com o novo presidente do Brasil foi "muito boa" e decorreu num "tom fraternal" de encontro "entre irmãos".

A reunião foi muito boa, foi formalmente muito boa, foi substancialmente muito boa", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, no final do encontro.

O presidente português salientou o "tom fraternal" do encontro: "Como eu disse, e como disse o presidente Bolsonaro, era uma reunião entre irmãos, e entre irmãos o que há a dizer se diz rápido, como se diz em família, e há uma empatia natural entre povos que facilita fazer passar a mensagem".

Houve um leque de temas bilaterais e multilaterais que foram tratados. E foi tão positivo quanto rápido", acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou na segunda-feira a Brasília para assistir à posse de Jair Bolsonaro, na terça-feira, foi hoje recebido pelo novo Presidente do Brasil pelas 10:55 (12:55 em Lisboa), num encontro que terminou perto das 11:15 (13:15 em Lisboa).

No Palácio do Planalto, o chefe de Estado português esteve acompanhado pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, pelo seu chefe da Casa Militar, o tenente-general Vaz Antunes, e pelo embaixador de Portugal em Brasília, Jorge Cabral.

Mobilidade de cidadãos e acordo UE/Mercosul 

O chefe de Estado português afirmou, esta quarta-feira, que no seu encontro com o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, os dois falaram sobre a mobilidade de cidadãos e o acordo UE/Mercosul.

Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que "o desenvolvimento do turismo e do comércio bilateral" e "a boa cooperação militar" foram outros temas abordados.

Naturalmente, falámos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em que a aposta do Brasil é essencial. Não há CPLP forte sem uma aposta forte do Brasil. É muito importante essa aposta", defendeu.

As comunidades brasileira e portuguesa nos dois países foram "o primeiro ponto" em cima da mesa e, nesse quadro, sugiram as "questões que decorrem da mobilidade no quadro da CPLP, da mobilidade entre os dois países e, até mais do que isso, da equivalência de diplomas e de certificação profissional", relatou.

Em relação ao acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, o Presidente português referiu que se falou "da importância de fechar esse acordo", processo que "tem sido complexo", acrescentando: "Portugal está permanentemente fazendo o que pode para que seja fechado o acordo. É muito importante para as duas partes".

Questionado sobre o posicionamento do novo Governo do Brasil quanto a esse acordo UE/Mercosul e se não haverá antes uma preferência por acordos bilaterais, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu com a importância do "pragmatismo" nas relações internacionais.

Independentemente das linhas de política externa de cada país, o pragmatismo obriga a que se tenha presente que é útil haver, além das relações bilaterais, também instrumentos, acordos multilaterais que, mesmo sem conteúdo ideológico, mesmo sem debate doutrinário, possam facilitar as exportações, o comércio, a circulação económica e financeira", sustentou.

O Presidente português descreveu a comunidade brasileira em Portugal como "muito transversal, economicamente, etariamente, socialmente". Quanto aos portugueses no Brasil, destacou a existência de "uma comunidade nova de estudantes, intelectuais, cientistas, empresários".