Centenas de pessoas estão esta noite a deslocar-se para o Sindicato dos Metalúrgicos, na cidade brasileira de São Bernardo do Campo, onde está o ex-presidente do Brasil Lula da Silva, cuja prisão foi decretada na quinta-feira.

A concentração naquela cidade do Estado de São Paulo foi convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e por movimentos de esquerda, como a Frente Brasil Popular, a União da Juventude Socialista do PCdoB e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Cerca da 01:15 em Lisboa estava a decorrer uma marcha de centenas de pessoas pelas ruas de São Bernardo do Campo na direção do sindicato, em defesa do ex-presidente brasileiro, segundo imagens transmitidas pela comunicação social local e nacional.

Os apoiantes gritam o nome de Lula da Silva, com slogans como "Lula guerreiro do povo brasileiro" e cântigos como "O povo sem medo, sem medo de lutar".

Na sede o Sindicato dos Metalúrgicos, a presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, criticou o mandado de prisão para Lula da Silva, emitido pelo juiz Sérgio Moro.

"Isto [mandado de prisão] é um atentado à democracia e aos direitos do ex-Presidente Lula. No afã de tentar impedir uma medida que pudesse suspender esta pena, o juiz Sérgio Moro emite mandado de prisão desta forma", criticou Gleisi Hoffmann. "Lamentamos muito que a situação brasileira tenha chegado a este ponto da nossa democracia e no nosso quando político. Estamos a falar sobre o Presidente mais popular do país, que saiu do Governo com um índice de aprovação de mais de 80%", acrescentou.

Lula ainda não decidiu se vai voluntariamente para a prisão

O senador Lindbergh Farias, do Partido dos Trabalhadores (PT), disse hoje que o ex-Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva ainda não decidiu se vai entregar-se ou não à Justiça.

O Presidente [Lula da Silva] ainda não decidiu o que vai fazer, ainda não decidiu nada. Ele está aqui no Sindicato dos Metalúrgicos, que é a casa dele, onde tudo começou. Ele vai decidir o que fazer amanhã [sexta-feira]", declarou esta madrugada o senador a órgãos de Comunicação Social que apoiam partidos de esquerda, os únicos que tinham autorização para entrar no Sindicato dos Metalúrgicos.

O senador disse também que, em sua opinião, como a prisão de Lula da Silva é "arbitrária", ele não deveria ir voluntariamente até a sede da Polícia Federal em Curitiba, como foi decretado.

O juiz Sérgio Moro decretou a prisão de Lula da Silva na sequência de uma autorização enviada pelo Tribunal Federal da 4 Região (TRF4).

Relativamente ao condenado e ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concedo-lhe, em atenção à dignidade cargo que ocupou, a oportunidade de apresentar-se voluntariamente à Polícia Federal em Curitiba até as 17:00 [21:00 em Portugal] do dia 06/04/2018, quando deverá ser cumprido o mandado de prisão", escreveu o juiz no mandado de prisão.

Já o advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin, disse que o mandado de prisão emitido contra o seu cliente na noite de quinta-feira foi uma "decisão arbitrária".

Num comunicado enviado à imprensa, o advogado de defesa acrescentou que "a expedição do mandado de prisão nesta data contraria a decisão proferida pelo próprio TRF4 no dia 24 de janeiro, que condicionou a providência - incompatível com a garantia da presunção da inocência - ao exaurimento dos recursos possíveis de serem apresentados para aquele Tribunal, o que ainda não ocorreu".

O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil negou na última quarta-feira à noite um recurso contra a prisão do ex-Presidente Lula da Silva, condenado em duas instâncias judiciais e que pretendia ficar em liberdade até à decisão final.

A prisão do ex-chefe de Estado está relacionada com um dos processos da Operação Lava Jato, o maior escândalo de corrupção do Brasil.

Lula da Silva foi condenado por ter recebido um apartamento de luxo como suborno da construtora OAS em troca de favorecer contratos com a petrolífera estatal Petrobras e condenado a doze anos e um mês de prisão.