Reino Unido, México, África do Sul e Brasil. Em todos estes países foram detetadas novas variantes do vírus SARS-CoV-2, mas apenas três delas chegaram a Portugal. A mais recente? A estirpe brasileira, identificada em duas pessoas na região da Grande Lisboa, na quinta-feira. 

Recorde-se que os voos de e para o Brasil estão suspensos desde o final de janeiro, devido ao evoluir da pandemia e do crescimento das novas variantes.

A TVI24 fez um apanhado com tudo o que se sabe sobre esta nova variante, designada de P.1, que já sofreu 12 mutações e acabou de chegar a Portugal.

QUANDO E COMO FOI DETETADA?

Esta nova estirpe foi encontrada pela primeira vez no Japão em quatro passageiros vindos do município brasileiro de Manaus, a 10 de janeiro, de acordo com o G1. Os testes que realizaram à chegada no aeroporto internacional de Tóquio deram positivo. 

Tratava-se de um homem com cerca de 40 anos que quando regressou ao Japão não tinha qualquer sintoma, mas que algum tempo depois foi internado com dificuldades em respirar; um mulher à volta dos 30 anos que começou a sentir dores de garganta e de cabeça; e dois jovens com idades entre os 10 e os 19 anos, um assintomático, o outro com febre.

Uns dias mais tarde, a 13 de janeiro, as autoridades de saúde do Brasil confirmaram oficialmente a existência de um nova estirpe no país, com origem no Amazonas.

Entretanto, além de Portugal e Japão, esta variante também já foi detetada em Espanha, Itália, Coreia do Sul e Estados Unidos.

É MAIS PERIGOSA? 

O Instituto Nacional de Doenças Infecciosas (NIID, na sigla em inglês), ligado ao governo japonês, considera esta variante do vírus mais perigosa, devido à elevada capacidade transmissão, mas também por provocar casos de doença grave, que exigem a administração de mais doses de oxigénio aos doentes.

Esta estirpe é caracterizada não por ter uma, mas sim um conjunto de 12 mutações que a diferenciam das outras variantes. No entanto, as principais são: N501Y, E484K (já detetada na variante do Reino Unido e da África do Sul) e K417T.

Aquilo que mais preocupa a comunidade científica tem a ver com o facto destas mutanções se 'esconderem' em alguns dos anticorpos e o vírus poder assim passar despercebido no nosso sistema imunitário. Elas enfraquecem os anticorpos para o vírus poder entrar.

AS VACINAS SÃO EFICAZES CONTRA AS NOVAS VARIANTES?

A resposta pode ser "sim", como também pode ser "não". De acordo com a comunidade científica, as vacinas disponíveis não protegem completamente de uma infeção por estas novas variantes, mas protegem contra a evolução de doença grave. Ainda assim, todas elas podem ser alvo de adaptações às novas mutações, principalmente as que usam o sistema RNA, como é o caso da Pfizer.

Paulo Paixão, presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, esclareceu que a deminuição de eficácia das vacinas tem que ver com o aparecimento de doença e não com o combate ao vírus. Ou seja, quem já tiver sido vacinado, não está protegido de se infetar, mas não desenvolverá, à partida, uma doença grave. 

As vacinas que vamos ter protegem-nos de doença grave. Portanto, tudo isto que estamos a sofrer agora, internamentos, mortos, é isso que a vacina vai quebrar", disse à TVI24. 

João Paulo Gomes, diretor do departamento de infecciologia do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, disse à TVI24 que a principal preocupação da comunidade científica em torno das novas variantes se prende com a eficácia da vacina e não com uma transmissibilidade ou sintomatologia mais severa.

Os especialistas acreditam que vamos a viver com o vírus, pelo menos enquanto continuarem a surgir novas variantes. Até porque, quanto mais pessoas forem vacinadas, mais o vírus vai tentar modificar-se genéticamente para conseguir infetar.

No entanto, alertam que grande parte da população já vai estar muito mais protegida para este vírus, pela imunidade adquirida quer pela vacina, quer pelo facto de já terem estado infetadas.  

VARIANTES AFETAM MAIS OS JOVENS E AS CRIANÇAS?

Relativamente ao maior potencial infeccioso das variantes já conhecidas em crianças e jovens, João Paulo Gomes esclareceu que se trata de um "falso alarme".

O especialista explicou que, como recentemente tem havido um aumento exponencial de contágios, é normal que as faixas etárias mais jovens não escapem. Ainda assim, a variação que se tem registado em Portugal é muito baixa. 

Cláudia Évora