Se para esta criança é normal brincar com animais selvagens, para o comum dos mortais este cenário seria impensável. Tiago Jácomo Silveira é filho de biólogos, e a intimidade com os jaguares ou onças-pintadas faz parte da sua rotina desde recém-nascido.

A fotografia, tirada a 15 de novembro pelo pai, Leandro Silveira, foi partilhada em várias páginas de Facebook e perfis do Instagram. Atingiu mais de 2 mil partilhas e 22 mil reações. Por não existir nenhuma contextualização da origem daquela imagem, há quem pense que se trata de uma montagem, enquanto outros elogiam a coragem do rapaz.

Tiago, de 12 anos, revela que foi apanhado de surpresa no meio deste mediatismo. Confessa que não compreende por que é que a sua fotografia se tornou tão famosa, uma vez que convive com estes animais desde que nasceu.

Eu tenho alguns amigos que não acreditam nisto, acham que é 'fake'. Mas a maioria dos meus conhecidos acha isto espetacular e têm vontade de as conhecer. Eu acho muito bom poder levar um pouco desta experiência de vida que tenho para outras pessoas que não tiveram a mesma sorte que eu", afirmou à BBC News Brasil.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Soninho da tarde com a Pandora 🐯

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O rapaz considera-se um privilegiado por ter esta relação de confiança com este animal. Os pais sempre lhe explicaram quais os cuidados a ter.

Sempre foi uma relação de amor e respeito (…) eles ensinaram-me que o medo e o respeito são sentimentos importantes e inteligentes. Porque quando nós não temos medo e não respeitamos o animal, quando não respeitamos o limite dele, ele também acaba por não nos respeitar", acrescenta.

A mãe, Anah Tereza Jácomo, e o marido, estão juntos há 28 anos, e criaram um projeto a dois: o Instituto Onça-Pintadas (IOP). Tem como principal objetivo a consciencialização da sociedade sobre a preservação dos jaguares.

Quando Tiago nasceu, o casal já tinha o IOP, e já cuidava de três felinos recém-nascidos.

Nessa época, íamos viajar de autocarro, para resolver questões do instituto, e levávamos o nosso filho e as onças connosco. Ele ia no colo da minha esposa e elas iam ali ao lado, para não nos magoarmos. No trajeto, muitas vezes parávamos para alimentar o nosso filho e as onças. Isto aconteceu muitas vezes", relatou Leandro.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Chegam assim... e depois ficam assim.

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Anah disse que nunca houve nenhum desacato entre o filho e os animais, mas também nunca o deixa sozinho com os felinos.

Sempre tivemos muitos cuidados. Não somente com as onças, mas com qualquer outro animal. Mas o mais importante é que o meu filho aprendeu muito cedo como conhecer cada um”.

O IOP está localizado na região rural de Mineiros, no interior de Goiás, um estado no centro do Brasil, numa propriedade com 50 hectares. Não são permitidas visitas, para evitar desconforto aos animais, ou dificuldades aos estudos ali realizados.

O instituto tem várias divisões: uma própria para criação, outra destinada a animais de outras espécies, e uma área só para investigação. É mantido à base de doações de empresários, particulares, e com recursos do próprio casal.

As onças-pintadas estão presentes em 21 países, entre eles a Argentina e os Estados Unidos. Em alguns, como Uruguai e El Salvador, já foi dada como extinta. O Brasil concentra a maior parte desta espécie, abrigando 48% de todo o mundo.