A polícia do estado brasileiro do Rio de Janeiro deteve, nesta terça-feira, numa operação de combate a milícias, cinco suspeitos de participarem no assassínio da vereadora e defensora dos direitos humanos Marielle Franco.

Segundo o jornal O Globo, os suspeitos fazem parte da milícia mais antiga e mais perigosa da capital carioca e tornaram-se alvo das autoridades porque o grupo atuava ilegalmente num esquema de apropriação indevida de terras na zona oeste do Rio de Janeiro.

A operação levada a cabo não tem relação direta com a investigação do assassínio de Marielle Franco, mas um dos detidos pode ser um elemento-chave para descobrir quem matou a vereadora. Foi chamada de "Os Intocáveis" e mobilizou 140 agentes da polícia.

Todos estes presos serão ouvidos, na expectativa de que possam colaborar noutras investigações. Não descartamos a participação no crime de Marielle Franco, mas não podemos afirmar isso neste momento”, disse a promotora Simone Sibilio, citada pelo mesmo jornal.

O Globo adiantou que os cinco detidos são o major da Polícia Militar (PM) Ronald Paulo Alves Pereira, chefe da milícia da favela da Muzema; o subtenente reformado da PM Maurício Silvada da Costa; Laerte Silva de Lima; Manuel de Brito Batista, contabilista e gerente da milícia Rio das Pedras; e Benedito Aurélio Ferreira Carvalho.

O ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Adriano Magalhães da Nóbrega, que também é chefe da milícia de Rio das Pedras, está foragido e é um dos 13 alvos dos mandados de prisão emitidos. Juntamente com o major da PM Ronald Pereira e o subtenente reformado da PM Maurício Costa são os líderes da organização.

Foram também cumpridos mandados de busca domiciliários e em empresas.

Todos foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como integrantes de um grupo responsável por vários crimes como extorsão de moradores e comerciantes da zona oeste do Rio de Janeiro com cobranças ilegais de taxas referentes a "serviços" prestados, falsificação de documentos e apropriação ilegal de terras.

Marielle Franco, vereadora e defensora dos direitos humanos, foi assassinada na noite de 14 de março de 2018, juntamente com o seu motorista, quando viajava de carro pelo centro do Rio de Janeiro, depois de participar num ato político com mulheres negras.

As autoridades brasileiras suspeitam do envolvimento de milícias, mas ainda não conseguiram descobrir quem ordenou o assassínio nem quem executou a ativista.

Em novembro passado as autoridades já tinham assumido o envolvimento de mílicias no homicídio de Marielle Franco

Não é um crime de ódio. Disse isso logo na primeira entrevista que dei, em março. É um crime que tem a ver com a atuação política, em contrariedade de alguns interesses. E a milícia, com toda certeza, se não estava no mando do crime em si, está na execução", afirmou o secretário de Segurança do Rio, general Richard Nunes, em entrevista à GloboNews.