À frente nas sondagens, após ter sido o mais votado na primeira volta das presidenciais brasileiras, o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro já saiu em defesa do filho, Eduardo, e das suas polémicas declarações que circulam em vídeo na internet, nas quais avisa que, se o Supremo Tribunal Federal pretender impugnar a candidatura do pai “terá que pagar para ver o que acontece".

As declarações de Eduardo Bolsonaro - reeleito no dia 7 de outubro como deputado federal pelo estado de S. Paulo, com a maior votação de sempre: 1.843.735 votos - foram produzidas em junho, numa ação de pré-campanha em Cascasvel, no estado do Paraná. Mas tornam-se ainda mais polémicas agora, quando surgem suspeitas de violação das leis eleitorais brasileiras por parte da campanha do pai, Jair Bolsonaro, por alegado apoio irregular da parte de empresários.

Em Cascavel, Eduardo não deixou de ser venenoso, quando respondeu a uma pergunta sobre o que aconteceria caso a candidatura do seu pai viesse a ser impugnada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), caso vencesse as eleições para a presidência.

Aí já está encaminhando para um estado de exceção. O STF vai ter que pagar para ver. E aí quando ele pagar para ver, vai ser ele contra nós. Você tá indo para um pensamento que muitas pessoas falam, e muito pouco pode ser dito. Mas se o STF quiser arguir qualquer coisa - recebeu uma doação ilegal de cem reais do José da Silva e então impugna a ação dele, a candidatura dele. Eu não acho isso improvável, não. Mas aí vai ter que pagar para ver. Será que eles vão ter essa força mesmo? O pessoal até brinca lá: se quiser fechar o STF, você sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo não", exemplifica Eduardo Bolsonaro.

E no vídeo, Eduardo Bolsonaro acrescenta ainda: "O que que é o STF, cara? Tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que é que ele é na rua? Você acha que a população... Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular a favor do ministro do STF?".

E para concluir, à data, o filho de Bolsonaro recorre até ao mais vernáculo para esgrimir uma posição de força, face à possibilidade então em avaliação de libertação de Lula da Silva, condenado pelo juiz Sérgio Moro.

É como soltar o Moro... Soltar o Moro?... Soltar o Lula! O Moro peitou um desembargador que está acima dele. Porquê? Porque o Moro está com um moral para cacete. Você vai ter que ter um c*lhão filho da put* para conseguir reverter uma decisão dele. Ele só joga lá, cara. Quero ver quem vai dar o contrário", expõe o filho de Bolsonaro.

"Hipótese esdrúxula"

Acossado pela divulgação do vídeo, o deputado Eduardo Bolsonaro já se defendeu, considerando que apenas respondia a "uma hipótese esdrúxula", sem nunca ter defendido o fecho do Supremo Tribunal Federal.

Acredito que o vídeo não é motivo para alarde, até porque eu mesmo o publiquei em minhas redes sociais há quase 4 meses. Trata-se de mais uma forçação de barra para atingir Jair Bolsonaro, assim como é essa balela de whatsapp fake news ser o fator que está conduzindo Jair Bolsonaro possivelmente para a presidência", acrescentou ainda o deputado.

Em nome do filho

Também o candidato presidencial, Jair Bolsonaro, preferiu desvalorizar as polémicas declarações do filho.

Não existe crítica sobre fechar STF. Se alguém falou em fechar STF, precisa consultar um psiquiatra", afirmou o candidato, citado pelo página G1 da Rede Globo, acrecentando que "alguém tirou de contexto" as declarações, quando soube que pertenciam ao filho, Eduardo.

Artilharia pesada começou entretanto a cair do lado do Partido dos Trabalhadores e do seu candidato Fernando Haddad, que classificou a família de Bolsonaro como "grupo de milicianos" e "gente de quinta categoria".

O filho dele chegou a gravar um pensamento, se é que pode se chamar assim o que eles falam, em que diz que vai fechar o Supremo Tribunal Federal, se eles desafiassem o Poder Executivo. Mandariam um cabo e um soldado, nem de jipe precisaria", afirmou Haddad, citado pelo G1, acusando mesmo Jair Bolsonaro de ser "um chefe de milícia", cujos filhos "são capangas".

"Cheiram a fascismo"

Fortemente crítico face às declarações de Eduardo Bolsonaro, surgiu o antigo presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, para quem as declaralções do deputado "merecem repúdio dos democratas" e "cheiram a fascismo".

Com masi esta polémica instalada, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Rosa Weber, afirmou, segundo o G1 que tomou conhecimento do vídeo de Eduardo Bolsonaro.

O que eu tenho a registrar, embora não sendo presidente do Supremo Tribunal Federal e sim do Tribunal Superior Eleitoral, que no Brasil as instituições estão funcionando normalmente e juiz algum no Brasil... os juízes todos no Brasil honram a toga e não se deixam abalar por qualquer manifestação que eventualmente possa ser compreendida como de todo inadequada”, afirmou a presidente.