O piloto português de helicópteros da Fórmula 1, suspeito de ser o mandante do sequestro da sogra de Bernie Ecclestone, foi condenado a 14 anos e quatro meses de prisão. A justiça brasileira acredita que Jorge Eurico da Silva Faria, atualmente preso, foi o mandante do rapto da sogra do “patrão” do desporto automóvel.

O crime ocorreu no verão de 2016, em São Paulo, onde Aparecida Schunk, de 70 anos, mãe de Fabiana Flosi, de 41 anos, com o qual Bernie Ecclestone mantém um relacionamento, foi raptada em casa.

De acordo com o jornal Mirror, o piloto português de 55 anos, conhecido por “Comandante Faria”, liderava um grupo criminal organizado por seis operacionais. Após o rapto, o grupo exigiu um resgate de 124 milhões dos 2,6 mil milhões de euros do património do inglês. Os raptores ameaçaram decapitar a mulher caso o resgate não fosse pago. Chegaram mesmo a enviar um vídeo de uma mulher decapitada a Fabiana, de forma a pressioná-la. A polícia prendeu ainda dois suspeitos de executar o sequestro e não descarta o envolvimento de outras pessoas no crime.

A vítima, graças a Deus, saiu ilesa e não houve pagamento de resgate", afirmou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que acompanhou as investigações.

Em entrevista ao tabloide britânico, o português, que está preso há dois anos em Ataí, São Paulo, afirma que está a preparar o recurso e acredita que tudo não passou de um plano da família da vítima, acusando Fabiana Flosi de ter estado envolvida no crime.

Acredito que Fabiana e a família estão por trás disso tudo. O gangue, que supostamente eram homens rudes e capazes de matar, agiram muito gentilmente. Não tinham armas. Sabe-se que Aparecida foi levada até à farmácia para buscar uma receita. Os raptores levaram-lhe ainda a comida que ela quis do McDonald's. Porque é que ela não gritou? (…) Dificilmente essas são atitudes de um gangue supostamente perigoso”, contou Jorge Faria.

No entanto, Bernie Ecclestone nega à mesma publicação que o rapto foi ideia da sua esposa.

Ele está a fazer o possível para ser libertado ou para o transferirem de cadeia. Estou 100% confiante no trabalho da polícia e tenho a certeza de que ela foi raptada e a minha mulher nada tem a ver com isso", disse. 

O homem que fez fortuna na Fórmula 1 contou que a sogra "ainda acorda de noite com pesadelos e sofre de depressão".

Os pormenores do rapto

Jorge Faria foi detido em agosto de 2016, quando a Polícia Civil de São Paulo o encontrou num condomínio de luxo em Cotia, na mesma cidade onde ficava o cativeiro da sogra do milionário. O português estava no Brasil quando se deu o rapto, visto que estava no país a desfrutar de um período de férias com os filhos. Em 2014, já tinha sido indiciado por furto de um helicóptero e acabou por regressar a Portugal nessa altura com a mulher e os dois filhos.

Nove dias depois de ter sido levada de sua casa no bairro Jardim Santa Helena, em São Paulo, Aparecida foi resgatada pelas autoridades brasileiras. Jorge Faria revelou que, antes do caso se ter tornado público, Fabiana já tinha confessado à polícia que o principal suspeito do rapto era ele.

Quando o primeiro e-mail de resgate foi enviado para Fabiana, ela estava na Hungria. Pediam três helicópteros para realizar o resgate. Os sequestradores usaram uma frase em português relacionada com os helicópteros e, como falo português, ela achou que fui eu.”

Jorge Faria revelou que conhecia Fabiana ainda antes de a mulher se ter casado com Bernie. No entanto, o ex-piloto explicou que, depois do casamento, a mulher tornou-se uma pessoa diferente.

Conheço dois lados da Fabiana. Antes de se casar, era uma pessoa humilde. Depois tornou-se rica e pensou que poderia comprar qualquer coisa que quisesse. Isso aconteceu quando ela trouxe o seu cão para o aeroporto do Reino Unido. Levei-a para o aeroporto, onde ela iria apanhar um voo privado. Deixou a sua bagagem no helicóptero para conferirem o seu passaporte. Comecei a ouvir um barulho que vinha de dentro de uma das suas malas e percebi que tinha lá dentro um Yorkshire. Disse à Fabiana que era errado. Ela não gostou de ser confrontada e após isso nunca mais trabalhei para ela”.

O piloto detido foi presidente da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe) até março de 2015, quando deixou o cargo a pedido, alegando razões pessoais. Segundo o jornal Folha de São Paulo, Jorge Eurico da Silva Faria informou na altura que iria mudar-se para Portugal.