Depois das conquistas da Libertadores e do Brasileirão e com o contrato com o Flamengo a poder ser revisto em dezembro, os jornalistas perguntam a Jorge Jesus sobre o futuro.

«O treinador não pensa no dia de amanhã, nunca. É verdade que eu como treinador não tenho tido aquilo que em Portugal chamamos chicotadas psicológica. Já tive, não há ninguém que não tenha, mas não tenho tido muito, mas estou sempre preparado para isso», disse o técnico português na conferência de imprensa após a goleada sobre o Avaí (6-1).

«Seja pela positiva, ganhar e decidir ir embora, ou perder e serem outros a decidir que o treinador vá embora, o treinador está sempre em cima do muro. Ou cai para um lado ou cai para o outro. Eu não me iludo. Tenho quase 30 anos como treinador e aqueles que nos aplaudem, quando não ganhas, fazem ao contrário. E é assim em todo o mundo, mas a verdade é que eu nunca senti uns adeptos que me dessem tanto carinho e isso está a mexer comigo», disse ainda Jorge Jesus, mas não deixa de apontar o dedo aos adeptos por maus motivos.

«Não me esqueço que na semana passada quando jogámos com o Ceará aqui, numa ou outra jogada do Rodinei começaram logo a insultar. Uma equipa que está como nós estamos, que joga a este nível, não pode ser insultada, não podem apontar o dedo ao jogador.»

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Questionado sobre o que o poderia levar a deixar o Flamengo por vontade própria, Jesus afirmou: «Estou num dos maiores clubes do Mundo. Vim à procura de títulos que na Europa não conseguia conquistar. O que me poderá levar a mudar de projeto? Depois de ganhar o que ganhei no Brasil, o que me falta mais ganhar? Talvez uma Champions. Para isso tens de treinar na Europa cinco equipas. Há cinco que ganham. As outras chegam lá, mas não ganham. Já não é mau chegar lá.»

 

O treinador foi ainda questionado sobre se, depois desta temporada histórica, o Flamengo poderia ainda melhorar.

«Normalmente diz-se que em equipa que, em equipa que ganha, não se mexe. Eu penso exatamente ao contrário. Nas equipas que ganham, tem de se mexer», garantiu o treinador.

«O Flamengo não tem um plantel perfeito, nenhuma equipa no mundo o tem. Tem virtudes e defeitos. O facto de este ano, mesmo faltando uma competição, ter feito um percurso histórico não quer dizer que não possa melhorar. Tem tudo para poder melhorar. O clube já não é vendedor, é comprador, penso eu… e poderá formar um plantel mais forte do que este… seja o treinador que for.»