Lula da Silva não vai poder votar nas eleições presidenciais do Brasil, que se vão realizar no próximo domingo. Preso por corrupção, o ex-presidente brasileiro viu a Justiça negar um novo recurso que tinha interposto para participar no ato eleitoral.

A defesa do líder do Partido dos Trabalhadores (PT) recorreu para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, o qual destacou que é "tecnicamente impossível" instalar urnas na sede da Polícia Federal na cidade de Curitiba, onde Lula da Silva Ele está preso, a cumprir pena, desde abril.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece um número mínimo de 20 eleitores para a instalação de urnas nas prisões do Brasil, que no domingo realizará eleições presidenciais, legislativas e regionais.

Na sua decisão, o juiz Jean Leeck reconheceu que Lula da Silva tem o direito de votar, já que no Brasil esse poder só é suspenso quando a pessoa condenada tenha esgotado todos os recursos em níveis mais elevados - o que não é o caso -, mas destacou o problema "técnico" da falta de eleitores.

O ex-Presidente brasileiro foi condenado a 12 anos e um mês de prisão pela prática dos crimes de branqueamento de capitais e corrupção passiva, num processo referente a um apartamento de luxo que teria recebido como suborno pela construtora OAS, em troca de favorecimento em contratos desta empresa com a estatal petrolífera Petrobras.

Lula da Silva foi preso em abril passado e está numa cela especial de uma unidade da Polícia Federal, tendo alguns benefícios, como a autorização de receber visitas semanais de personalidades e correligionários, principalmente o seu sucessor político, o candidato à Presidência do Brasil pelo PT, Fernando Haddad, que ocupa o segundo lugar nas sondagens.

Bolsonaro ausente do último debate televisivo

Também se soube esta terça-feira que o candidato da extrema-direita Jair Bolsonaro, líder nas intenções de voto, desistiu de participar no último debate televisivo antes das eleições de domingo, previsto para esta quinta-feira, por recomendação médica.

A decisão foi anunciada hoje pelos médicos que tratam dos ferimentos que Bolsonaro sofreu aquando do seu esfaqueado, a 6 de setembro num ato de campanha em Juiz de Fora. O candidato do Partido Social Liberal (PSL) manteve-se hospitalizado durante grande parte do período de campanha eleitoral, tendo recebido alta hospitalar no passado sábado.

"Ele não irá (ao debate de quinta-feira) porque o desencorajamos e ele é muito obediente", disse à imprensa o cirurgião Antonio Macedo, após ter saído da casa do candidato do PSL, no Rio de Janeiro.

O cirurgião, que visitou Jair Bolsonaro acompanhado pelo cardiologista Leandro Echenique, disse que Bolsonaro expressou o desejo de participar no debate, mas garantiu que vai atender à recomendação médica.

"Nós contraindicamos a participação em debates ou qualquer atividade que possa cansá-lo ou força-lo a falar mais de 10 minutos", disse Antonio Macedo.

De acordo com o seu médico, o deputado não pode participar em atividades que exijam muito esforço físico durante mais de 15 minutos, porque "isso pode prejudicar a sua evolução".

"Atestado falso"

O candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Ciro Gomes, acusa Jair Bolsonaro de usar um atestado falso para não comparecer no último debate televisivo antes das eleições.

Eu quero dizer que eu vou tirar a sua máscara, Bolsonaro. Você não pode deixar de ir ao debate. Você está mentindo, e atestado médico falso é crime. Vá ao debate da Globo que eu vou mostrar que você é uma nota de três reais".

O candidato do PDT afirmou ainda que vai tentar processar os médicos de Bolsonaro por estes emitirem um atestado falso - alegando o estado de saúde do candidato, esfaqueado em setembro numa ação de campanha -, segundo a plataforma informativa UOL.

Um dos médicos que acompanha a evolução da saúde do candidato da extrema-direita, o cirurgião Antonio Macedo, afirmou hoje que impediu a participação de Bolsonaro no debate desta quinta-feira, por questões médicas.

Quanto à sua própria participação no último debate, Ciro Gomes afirmou: "Sou o que sou, vou falar o que penso, vou procurar dizer ao povo brasileiro para desarmarmos essa bomba de extremismos do PT (Partido dos Trabalhadores) e Bolsonaro. Isso vai afundar o Brasil numa crise de que talvez não possamos sair com a democracia".

Bolsonaro suspendeu a sua campanha e não compareceu a nenhum dos recentes debates, mas, apesar da ausência, as intenções de voto na extrema-direita subiram de 22%, percentagem que tinha antes do ataque, para 32%, segundo a sondagem divulgada na terça-feira, pela empresa Datafolha.

Apesar de liderar as sondagens, Bolsonaro, conhecido pelas controversas declarações que faz e por ser um defensor da ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985, é também o candidato com maior taxa de rejeição eleitoral.