Michelle de Paula Firmo Reinaldo e Jair Bolsonaro conheceram-se em 2007 no Congresso Nacional. Michelle era então secretária parlamentar e tinha 27 anos. Jair era deputado federal e tinha 52.

Como é que se apaixonaram? Jair conta que bastou um piropo poético e já se deu a aproximação. “Dei aquela cantada e falei: ‘Michelle, enquanto não faltar água no mar, não deixarei de te amar’”, conta o candidato presidencial, citado pelo jornal Folha de São Paulo.

Michelle e o marido, numa das poucas publicações do Instagram em que expressa claramente o apoio ao candidato.

A poesia continuou a fazer parte da vida do casal. Ainda de acordo com o mesmo jornal, Jair referia-se à então namorada nestes termos: “Resolvi buscar a felicidade e me aproximei dela. Tudo passou a ser diferente, esperança e alegria de viver brotaram de tal forma que até hoje me pergunto se tudo isso é verdade”.

Não vou dizer que te amo, porque seria um pleonasmo. Você é um pedaço de mim.”

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De namorada a secretária pessoal... ou o contrário

Apaixonado, Jair convidou Michelle para trabalhar no próprio gabinete. De acordo com o jornal Metrópoles, foi nomeada a 18 de setembro de 2007 e exonerada em novembro de 2008, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a contratação, por parte dos deputados, de parentes até terceiro grau.

Em pouco mais de um ano, Michelle viu o salário triplicar, em relação ao que ganhava antes da mudança para o gabinete do deputado Jair Bolsonaro.

De acordo com o Folha de São Paulo, nove dias depois de ser contratada, Michelle e Jair assinaram um acordo pré-nupcial e, dois meses depois, casaram pelo civil. O casamento religioso só aconteceu em 2013, já a pequena Laura (filha do casal, agora com sete anos) tinha nascido.

A cerimónia religiosa aconteceu numa mansão do Rio de Janeiro, com uma vista que abarca desde a cidade maravilhosa até Teresópolis (cidade do interior, que fica a cerca de 90 quilómetros da capital do Estado). Foi num fim de tarde, perante cerca de 150 convidados, numa festa em que a noiva proibiu vermelho na decoração e música ao vivo, sobretudo funk e samba.

Quem realizou a cerimónia foi um dos melhores amigos dos noivos à época – o pastor Silas Malafaia. Em 2016, o pastor foi alvo de uma investigação da Polícia Federal e pediu um posicionamento publico favorável de Jair Bolsonaro. O político recusou e a relação entre o casal e o pastor evangélico nunca mais foi a mesma.

Uma “mulher de Deus”

Michelle costumava frequentar a igreja de Silas Malafaia. O pastor não lhe poupa elogios: “Ela é uma menina que gosta de servir. Na minha igreja, pegava cesta básica, achava coisas para bazar. Mas não é boba: sabe se expressar e construir relacionamentos. Ela não carrega em maquilhagem e não é sofisticada. Mas nem precisa. Michelle tem uma beleza natural”.

Michelle Bolsonaro é conhecida como uma mulher muito religiosa e assídua frequentadora do culto, numa igreja evangélica perto de casa. (Reprodução Instagram)

Com a separação entre o casal e o pastor, Michelle passou a frequentar a Igreja Batista Atitude, um centro evangélico na Barra da Tijuca, perto da casa onde moram. Jair, “católico apostólico romano”, como se define, acompanha-a muitas vezes.

É mais uma das provas de amor do velho “Capitão”, como gosta de ser chamado. Há mais: numa das fotografias divulgadas por Michelle nas redes sociais, o casal aparece no Maracanã; ela envergando uma camisola do Flamengo, muito sorridente; ele (Botafogo assumido), sorrindo e a falar ao telemóvel. A legenda da foto é: “Prova de amor”.

Mulher fitness e especialista em língua gestual

O casal mora num condomínio de casas na orla da Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro. Na mansão, vivem Jair, Michelle, a pequena Laura e uma irmã mais velha desta, já adolescente, filha de uma primeira relação da mulher de Bolsonaro.

Bem perto da casa, fica o ginásio frequentado pela provável futura primeira-dama. Gosta de musculação, ginástica e corrida.

Os atributos de Michelle não se ficam por aqui: expressa-se fluentemente em Libras (língua gestual brasileira) e tem feito um esforço para aproximar o marido da população surda. Parece estar a resultar: numa entrevista recente a um jovem surdo, Jair Bolsonaro prometeu que, caso seja eleito presidente, terá um tradutor de língua gestual brasileira a seu lado, em todos os eventos públicos.

Michelle segue o exemplo do marido… tem aparecido pouco. É avessa à exposição pública nos media e não é vista em eventos de campanha do marido. Uma das poucas fotografias em que aparece ao lado de Jair, na Convenção Nacional do PSL, data de 22 de julho. Além dessa descrição natural de Michelle, há também alguma preservação dela por parte de quem a rodeia – familiares, amigos e assessores.

Jair Bolsonaro acompanhado do filho Flávio Bolsonaro e da mulher, Michelle, na Convenção Nacional do PSL, em julho de 2018 (REUTERS)

Bolsonaro também fala muito pouco da mulher, nas poucas vezes que fala em público. Por isso, para a história, fica o episódio em que “usou” a mulher, após uma entrevista ao programa “Custe o Que Custar”, da Band, para se defender de acusações de racismo.

Na altura, a cantora Preta Gil perguntou ao então deputado qual seria a sua reação caso um dos seus filhos se apaixonasse por uma negra. Bolsonaro respondeu: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”.

Foi em 2011. Jair Bolsonaro fez saber depois publicamente que a mulher é afrodescendente e que o sogro tinha como apelido “Paulo Negão”. Na altura, Bolsonaro foi ainda mais longe: organizou uma entrevista com o cunhado, o militar Diego Torres Dourado, irmão de Michelle por parte de pai. Questionado pelos jornalistas se o político era preconceituoso, Diego negou: “Já estive várias vezes com ele. Ele nunca foi preconceituoso, porque ele não é”.

Família de políticos

Michel é a terceira mulher de Bolsonaro. Antes, foi casado com Rogéria Nantes Nunes Braga (uma dona de casa, eleita deputada municipal) e Ana Cristina Valle.

Terá sido Jair a incentivar Rogéria, mãe de Carlos, Eduardo e Flávio, a entrar na política. Foi eleita vereadora pelo Rio de Janeiro em 1992 e cumpriu um mandato. Terá sido suficiente para acabar com o casamento.

Numa entrevista à revista IstoÉ Gente, em 2000, Bolsonaro explicou: “Ela era uma dona de casa. Por minha causa, teve 7 mil votos na eleição. Acertamos um compromisso. Nas questões polémicas, ela deveria ligar-me, para decidir o voto dela. Mas começou a frequentar o plenário e passou a ser influenciada pelos outros vereadores”.

A carreira política de Rogéria foi curta e acabou com o casamento de 15 anos. Mas as questões que colocaram fim à união parecem sanadas. Dias depois do incidente na campanha que resultou no esfaqueamento de Jair Bolsonaro, Rogéria publicou um vídeo no Instagram onde defende o ex-marido. 

Estamos aqui para desmentir uma agressão que ele está sofrendo de novo. Toda essa injustiça que estão praticando, não é legal", disse Rogéria, que usa o sobrenome do ex-marido no Instagram.

O vídeo surgiu depois de uma reportagem divulgada pela revista Veja, que revelava detalhes do processo de mais de 500 páginas envolvendo o candidato a presidente da República e a ex-mulher, Ana Cristina Siqueira Valle, com quem esteve casado cerca de 10 anos. O documento traz uma série de acusações que vão além da vida privada do casal. Entre elas, está a de que Bolsonaro teria ocultado património pessoal da Justiça Eleitoral em 2006, quando disputou cargo de deputado federal.

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A separação do casal aconteceu em 2008. Segundo a ex-mulher, por causa do “comportamento explosivo” e de “desmedida agressividade”.

"Quatro homens e uma fraquejada"

Mas a relação entre Rogéria e Jair deu à nação brasileira mais três políticos. Desde logo Carlos, o filho do meio, que, ainda com 17 anos, concorreu contra a mãe à câmara do Rio de Janeiro, em 2000. A candidatura foi registada, mas não foi aceite pelo Ministério Público Eleitoral, por causa da idade do candidato. Jair e Carlos recorreram e foi-lhe dada razão pelo Tribunal Superior Eleitoral, alegando que, à data da posse, em 2001, Carlos já teria 18 anos e poderia assumir o cargo. Ganhou e tornou-se no mais jovem vereador do Rio de Janeiro. Dezoito anos depois, ainda ocupa o cargo, tendo sido eleito para o quinto mandato em 2016.

Carlos Bolsonaro, 35 anos. (Reprodução Facebook)

Eduardo Bolsonaro é o filho mais novo de Jair e Rogéria. Advogado e agente da Polícia Federal, foi eleito pela primeira vez deputado federal em 2014. De acordo com uma notícia divulgada pelo portal UOL em finais de agosto, que cita a declaração de bens apresentada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), desde a primeira eleição, Eduardo aumentou a sua fortuna pessoal em 432%. Voltou a ser eleito, há três semanas, logo na primeira volta, com 1.843.735 votos.

Eduardo Bolsonaro, 34 anos. (Reprodução Facebook)

Eduardo é adepto da liberalização do porte de armas e grande utilizador do Twitter. Um dos posts mais polémicos surgiu logo após a morte de Marielle Franco. Eduardo Bolsonaro usou a rede social para atacar o PSOL, partido de Marielle.

Mais uma lição: se você morrer seus assassinos serão tratados por suspeitos, salvo se você for do PSOL, aí você coloca a culpa em quem você quiser, inclusive na Polícia Militar”, escreveu.

Flávio Bolsonaro, de 37 anos, é o mais velho dos irmãos. Foi eleito na primeira volta destas eleições senador pelo Rio de Janeiro

Flávio é empresário e advogado. É conhecido pela defesa que faz dos valores preconizados pelo pai. Casado e pai de duas filhas, ingressou na política como o deputado estadual mais jovem da legislatura 2003/2007, quando foi eleito pela primeira vez.

Jair com o filho Flávio, de 37 anos. (REUTERS)

É irmão do Deputado Federal Eduardo Bolsonaro e do Vereador Carlos Bolsonaro, com os quais comunga os ideais e os valores apreendidos de seu pai”, resume o perfil do seu site.

O outro filho de Jair, Renan Bolsonaro tem 19 anos, estuda Direito e quer seguir as pisadas do pai e dos irmãos. Assume que gosta de política e da vida militar. Renan criou uma página de Facebook para promover os seus “ideais e projetos”.

 

A pequena Laura é uma mulher entre homens. Entre as tiradas mais polémicas do pai, está uma que a visa diretamente e que levou o pai a ser acusado de misógino e machista.

Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, aí no quinto eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”, disse, quando ainda era deputado federal pelo Rio de Janeiro, em 2017.