Há mais um caso mediático a abalar a presidência de Bolsonaro. A responsável pela pasta dos Direitos Humanos, Damares Alves, terá retirado uma criança a uma família indígena, sob o pretexto de um tratamento dentário, mas 14 anos depois ainda não devolveu a jovem à família.

Damares apresenta a criança, que tem já 20 anos, como fllha adotiva, mas a suposta adoção nunca foi formalizada. O caso foi denunciado pela tribo à qual a jovem pertencia, os Kamayurá, que habitam no Xingu, Mato Grosso. 

A história foi revelada pela revista Época, que ouviu familiares da jovem. Kajutiti Lulu Kamayurá, nome dado pela família, foi criada pela avó depois de abandonada pela própria mãe. 

A branca levou a Lulu", disse a avó à revista, num dialeto local.

Márcia Suzuki, amiga de Damares, com quem fundou a Atini, ONG que se apresenta como organização sem fins lucrativos "reconhecida internacionalmente pela sua atuação pioneira na defesa do direito das crianças indígenas" levou a criança para fazer "um tratamento dentário". Quase 15 anos depois do episódio o tratamento parece não ter acabado. 

Lulu, nome pelo qual era tratada, voltou ao local onde nasceu há dois anos, mas não ficou no local. As partes trocam acusações sobre os factos e a mãe adotiva garante que salvou a filha de um infanticídio certo. 

A Fundação Nacional do Índio (Funai), que depende do ministério de Damares, garante que a suposta adoção é ilegal e que depende da aprovação da justiça.

A minstra faz parte da Igreja do Evangelho Quadrangular, e durante um dos eventos da igreja, em 2013, garantiu que salvou a filha da "miséria dos kamayurás e do infanticídio". Segundo a própria, se tivesse ficado na aldeia, a criança tornar-se-ia numa escrava.

Índios dizem que a criança foi levada da aldeia

Índios da tribo Kamayurá afirmaram que a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do Brasil, Damares Alves, levou irregularmente a atual filha adotiva, Kajutiti Lulu Kamayurá, daquela aldeia, quando tinha seis anos de idade. 

Os indígenas da tribo Kamayurá contam à revista Época que a mãe biológica da filha adotada pela agora ministra não poderia cuidar da criança e que o tio da menina a deixou aos cuidados de uma avó.

Chorei, e Lulu estava chorando também. Márcia levou na marra. Disse que ia mandar de volta, que quando entrasse de férias ia mandar aqui. Cadê?", disse à reportagem a avó de Lulu.

Em resposta à reportagem, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do Brasil divulgou uma nota pública na qual diz que "a ministra Damares Alves não estava presente no processo de saída de Lulu da aldeia. As duas se conheceram em Brasília".

Lulu não foi arrancada dos braços dos familiares. Ela saiu com total anuência de todos e acompanhada de tios, primos e irmãos para tratamento ortodôntico, de processo de desnutrição e desidratação. Também veio a Brasília estudar", acrescentou.

O Governo brasileiro também explicou que "Damares [Alves] é uma cuidadora de Lulu e a considera uma filha. Como não se trata de um processo de adoção, e sim um vínculo socio-afetivo, os requisitos citados pela reportagem não se aplicam. Ela nunca deixou de conviver com os parentes, que ainda moram em Brasília".

Lulu não é pessoa pública. É maior de idade. Não foi sequestrada. Saiu da aldeia com familiares, foi e é cuidada por Damares com anuência destes. Nenhum suposto interesse público no caso deveria ser motivo para a violação do direito a uma vida privada, sem tamanha exposição", conclui o órgão do Governo brasileiro.

O caso está a fazer correr tinta na imprensa brasileira. Damares está ainda envolvida em duas outras polémicas depois de ter considerado que "sexo entre mulheres é uma aberração" e que "menino veste azul e menina veste rosa".