Um trabalhador da Fundação Nacional do Índio (Funai) foi assassinado na Amazónia, na noite da passada sexta-feira. Maxciel Pereira dos Santos, de 31 anos, foi morto na cidade de Tabatinga, no estado do Amazonas, num crime testemunhado pela mulher e pela enteada.

O crime ocorreu por volta das 18:50, numa zona perto da fronteira do Brasil com a Colômbia e o Perú, segundo foi revelado pela Polícia Militar. A vítima deslocava-se na sua mota quando foi alvejada com dois tiros na nuca.

Maxciel Santos trabalhava há mais de 12 anos na Frente de Proteção Etnoambiental Vale do Javarim, em ações de vigilância e fiscalização. Um inquérito foi aberto, e as autoridades estão a investigar uma eventual ligação entre o homicídio e a atividade profissional da vítima, numa altura em que crescem os conflitos na zona da Amazónia entre os índios e os mineiros. Recorde-se que um líder de uma tribo índia foi assassinado há menos de dois meses, depois de uma invasão de mineiros.

Um dos objetivos do trabalho desenvolvido pela vítima era, precisamente, impedir a entrada de invasores, numa área que está identificada como sendo a de maior presença de índios isolados do mundo. Segundo a imprensa brasileira, ataques a esta base têm sido comuns nos últimos tempos. O Vale do Javari ocupa mais de oito milhões de hectares e tem cerca de seis mil índios, de oito etnias diferentes, segundo informações divulgadas pela Indigenistas Associados (INA).

 

Ressalvamos a grande pessoa, amigo e defensor dos indígenas que era o Maxciel, exemplo de seriedade, parceria e dedicação. Temos a profunda sensação de que fomos todos atingidos", afirmou a nota da INA.

A Funai é uma fundação estatal que é tutelada pelo ministério da Justiça do Brasil, do qual o juiz Sérgio Moro é ministro.

A Amazónia está a atravessar um período de grande ameaça, com os incêndios e a desflorestação a consumirem grande parte daquele que é considerado o "pulmão do planeta". Os últimos dados oficiais apontam para a duplicação dos valores de desflorestação na Amazónia, ao mesmo tempo que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, vai desvalorizando a questão