Um extenso manto de algas verdes transformou a paisagem idílica das praias da região francesa da Bretanha e está a estragar as férias de populares e de turistas que visitam a região. As algas que cobriram o areal desta costa são tóxicas e podem já ter causado a morte de pelo menos duas pessoas.

O problema é ecológico e sanitário. As algas libertam grandes quantidades de sulfeto de hidrogénio, um gás tóxico que se forma quando estas plantas se decompõem. Por isso, há já pelo menos seis praias que estão fechadas ao público em Saint-Brieuc. 

As preocupações de residentes e ativistas locais adensaram-se com a suspeita de que a presença destas algas esteja diretamente ligada à morte de pelo menos duas pessoas na região.

No início do mês, um jovem de 18 anos que apanhava ostras na perto da Baía de Morlaix foi encontrado morto. Segundo as autoridades locais, a autópsia indicou que o jovem se terá afogado, mas o grupo de ativistas Halte aux Marée Vertes (Parem as Marés Verdes, em francês) diz que o rapaz morreu intoxicado com sulfeto de hidrogénio. Mais recentemente, um idoso de 70 anos morreu na Baía de Douarnenez, em mais um caso que pode estar relacionado com a presença estas plantas tóxicas.

A Organização Não Governamental Eau et Rivières (Água e Rios) já pediu às autoridades locais para investigar as duas mortes, como contou Jean Hascoet, responsável da associação, à CNN.

As algas não representam perigo quando estão vivas. O problema é quando morrem e entram em decomposição, como explicou Anniet Laverman, uma bióloga do Centro Nacional para a Investigação Científica de França.

E quando entram no processo de decomposição libertam sulfeto de hidrogénio, um gás tóxico com um cheiro comparado a ovos podres.

As pessoas conseguem cheirar o sulfeto de hidrogénio, mas não sabem que se trata do cheiro de um gás tóxico”, afirmou Laverman à CNN.

A especialista explicou que a maioria destas plantas é observada em zonas onde há uma intensa atividade humana - onde há, por exemplo, práticas agrícolas e muito lixo na água.

O problema das algas tóxicas na Bretanha tem-se vindo a agravar com as alterações climáticas.

Ines Leraud, uma jornalista de investigação que se tem focado no problema, explicou à BFMTV que, normalmente, as algas são recolhidas das praias todas as manhãs, mas, este ano, a quantidade é tal que não é possível dar conta do recado.