O candidato nomeado pelo presidente dos Estados Unidos para o Supremo Tribunal, Brett Kavanaugh, garantiu na segunda-feira que não iria desistir da sua candidatura, apesar das alegações de assédio sexual que está a enfrentar.

Em entrevista ao canal conservador norte-americano Fox News, Kavanaugh assegurou que não vai permitir que “falsas acusações” o retirem deste processo, apelando a "um julgamento justo" e que tenha a oportunidade de ser ouvido, defender a sua integridade e limpar o seu nome.

O juiz afirmou que não duvida que Christine Blasey, a primeira mulher que fez a denúncia, tenha sido assediada sexualmente em algum momento da sua vida, mas reiterou que não foi por ele.

Não duvido, nem duvidei que, talvez em algum momento da sua vida, a doutora [Christine Blasey] Ford tenha sido sexualmente atacada por alguém, mas o que eu sei é que nunca agredi sexualmente ninguém. A verdade é que eu nunca tentei agredir sexualmente ninguém durante o secundário ou em qualquer outro lugar", assegurou Kavanaugh, ao lado da sua mulher.

O magistrado assumiu ainda que era virgem durante o tempo em que frequentou a escola secundária.

Christine Blasey Ford, psicóloga, comprometeu-se em testemunhar na quinta-feira numa audiência aberta, confirmaram os advogados em comunicado.

O testemunho é tido como um momento chave no processo de confirmação do juiz para o Supremo Tribunal.

A mulher acusou Kavanaugh de a agredir sexualmente numa festa, quando ambos andavam na escola secundária, nos princípios da década de 1980.

O presidente norte-americano, Donald Trump, considerou que as acusações de agressões sexuais dirigidas ao juiz Brett Kavanaugh, são “totalmente políticas”.

É um homem perfeito com um passado irrepreensível”, “um homem notável”, declarou Trump numa referência ao magistrado conservador.

“Tudo isso saiu subitamente, na minha opinião é totalmente político”, sunblinhou, ainda, o presidente, lembrando que as acusações foram reveladas três décadas após os supostos factos.

No domingo, a revista The New Yorker noticiou que os democratas que integram o comité do Senado norte-americano estão a investigar uma acusação de assédio sexual feita por uma segunda mulher contra o juiz.

Este segundo incidente reporta ao ano letivo de 1983-84, o primeiro de Brett Kavanaugh na Universidade de Yale.

Deborah Ramirez, de 53 anos, disse à revista nova-iorquina que Kavanaugh apareceu num dormitório, embriagado, pressionou o pénis no seu rosto, o que a obrigou a tocá-lo sem o seu consentimento, quando o afastava.