Boris Johnson voltou a ser derrotado no parlamento britânico, ao ver chumbada a moção para conseguir eleições antecipadas, e acusou os deputados da oposição de pensarem que sabem mais do que o público britânica. A oposição já tinha avisado que não quer eleições até deixar de ser possível uma saída sem acordo.

"Eles querem que o primeiro-ministro britânico entre numa negociação vital sem o poder de ir embora", afirmou.

Apenas 293 deputados votaram a favor da eleição, quando eram necessários 434 votos, correspondentes a dois terços do total dos membros da Câmara dos Comuns, para que as eleições antecipadas fossem convocadas para 15 de outubro.

Esta é a segunda vez que a proposta é inviabilizada. No passado dia 4, a moção foi votada em Parlamento e apenas conseguiu 298 votos a favor.

A proposta de eleições antecipadas foi feita após uma derrota na Câmara dos Comuns na terça-feira, que permitiu à oposição e a um grupo de deputados conservadores introduzir legislação para impor um novo adiamento do ‘Brexit' e impedir uma saída sem acordo em 31 de outubro.

O texto exige que o primeiro-ministro britânico peça uma nova extensão da data de saída até 31 de janeiro caso o parlamento não aprove um acordo de saída ou não autorize uma saída sem acordo até 19 de outubro.

A extensão precisa depois de ser deferida unanimemente pelos restantes 27 Estados membros da UE.

O segundo chumbo às eleições antecipadas foi o último debate antes do parlamento britânico ser suspenso durante cinco semanas, até 14 de outubro.

A suspensão até 14 de outubro causou uma onda de indignação no Reino Unido quando foi anunciada no final de agosto, levando a oposição a qualificar a decisão como um "escândalo e uma ameaça à democracia" e uma manobra para forçar um 'Brexit' sem acordo a 31 de outubro.

O governo britânico obteve autorização da rainha Isabel II com o objetivo de "apresentar uma nova agenda legislativa nacional ousada e ambiciosa para a renovação do país após o ‘Brexit’" a 14 de outubro, invocou o primeiro-ministro, Boris Johnson.

Duas ações judiciais para bloquear a suspensão foram rejeitadas nas últimas semanas em tribunais de Edimburgo e Londres, sendo esperado que os recursos sejam analisados a 17 de setembro pelo Tribunal Supremo, a última instância judicial britânica.

Um terceiro caso está em curso num tribunal de Belfast, tendo uma audiência sido agendada para 16 de setembro.